Título: Dirceu defende mais quatro anos de mandato
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 08/06/2005, Política, p. A6
O ministro José Dirceu (Casa Civil) quebrou o silêncio que tem mantido desde que chegou à Europa, no domingo, para defender, em entrevista ao jornal "El Pais", a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em meio à crise que abate o governo, após a entrevista do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), na qual ele diz que o PT pagava um "mensalão" para parlamentares do PP e do PL, o ministro disse ser a favor de mais quatro anos de mandato para que sejam consolidados os programas sociais petistas. "O governo pode seguir atuando. Mas, dito isso, há que se trabalhar para eleger Lula. O programa de modernização política e o sistema de proteção social requerem quatro anos mais de Lula", afirmou o ministro em entrevista ao jornal, publicada hoje. Dirceu não foi questionado a respeito do "mensalão", mas sobre as denúncias de corrupção envolvendo partidos da base aliada do governo. O ministro concedeu entrevistas a jornalistas espanhóis ontem pela manhã. Desde que a "Folha de S.Paulo" publicou a entrevista de Jefferson, na segunda-feira, o ministro tem se negado a conversar com os repórteres brasileiros. "Falo apenas no Brasil", repetiu, durante todo o dia de ontem, ao ser abordado em Madri e em Lisboa. Dirceu mandou desmarcar a entrevista coletiva que estava agendada para a noite de ontem em Portugal. Ainda em Madri, declarou: "No momento estou preocupado é com a Espanha", ao ser questionado sobre a crise no Brasil. Dirceu manteve o contato direto com o Planalto. Disse a interlocutores que prefere falar apenas na volta ao Brasil para se colocar a par, com mais detalhes, das repercussões e da própria estratégia do governo para enfrentar a crise. De acordo com o ministro, ainda segundo o jornal espanhol, "é preciso seis anos de governo para conseguirmos as mudanças que prometemos": "A oposição quer antecipar agora mesmo a agenda eleitoral. Isso encurta o mandato. Estamos acostumados a ter eleições municipais e de governadores a cada dois anos". No fim da manhã, o ministro encontrou-se com Maria Tereza Fernández de la Veja, vice-presidente do governo espanhol. À tarde, almoçou com o presidente da Telefônica, César Alierta Izuel. Em Lisboa, encontrou-se com empresários portugueses e brasileiros para tratar de investimentos em infra-estrutura.