Título: Setor de alimentos repassa para varejo a queda em commodities agrícolas
Autor: Raquel Landim, Raquel Salgado e Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 10/06/2005, Brasil, p. A3

As indústrias de alimentos já estão repassando para o varejo a queda dos preços das commodities agrícolas. Entre dezembro de 2004 e a primeira semana de junho, o índice de preços agrícolas no atacado, calculado pela MS Consult, mostrou retração de 5%. A Cooperativa Central do Oeste Catarinense, dona da marca Aurora, reduziu em até 30% os preços dos embutidos. Com 45 mil agricultores associados, a cooperativa abate 200 mil suínos por mês e vende 70% de sua produção internamente. Segundo Mário Lanznaster, vice-presidente da Aurora, a cooperativa só conseguiu reduzir os preços, porque caíram as cotações do suíno. Em 90 dias, os preços pagos pelos criadores pelo animal cederam 20%, passando de R$ 2,5 por quilo para R$ 2. A queda é resultado dos menores preços da soja e do milho, insumos que respondem por 70% dos custos de produção. Depois de um período de expressiva alta, a saca de soja despencou de R$ 54 para cerca de R$ 30 no último ano, segundo a Aurora. Já a saca de milho saiu de R$ 27 para R$ 20. "O preço do suíno também acompanha a cotação da carne bovina que está no pior patamar dos últimos 11 anos", diz o vice-presidente da Aurora. Lanznaster acredita que a queda dos preços promovida pela cooperativa chegará ao consumidor, pois algumas redes varejistas estão anunciando promoções. Para o economista Fábio Silveira, da MS Consult, os preços das commodities agrícolas devem continuar em queda. A relativa piora dos indicadores de nível de atividade nos Estados unidos, como a revisão para baixo do PIB e a queda na confiança do consumidor, sinalizam um desaquecimento da demanda do país. Além disso, os EUA devem produzir uma boa safra de grãos esse ano, que também ajudará a reduzir as cotações. Outro produto agrícola cujos preços devem cair em breve é o leite. Alguns laticínios anunciaram que devem reduzir as cotações pagas ao produtor em 7% em junho. A Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais, dona da marca Itambé, pretende manter os preços pagos aos seus filiados, mas não sabe quanto tempo poderá aguentar. Segundo Jacques Gontijo, vice-presidente da Itambé, os preços ao produto estão caindo por conta do aumento da produção de leite no campo e da forte alta das importações em maio, provocadas pelo dólar barato. A produção brasileira da leite deve aumentar cerca de 6% esse ano, enquanto o consumo pode crescer entre 2% e 3%.(RL e RS)