Título: Discreto, escolhido foi o mais votado em lista tríplice
Autor: Thiago Vitale Jayme e Juliano Basile
Fonte: Valor Econômico, 10/06/2005, Brasil, p. A4
Discretíssimo em suas aparições públicas e nos discursos proferidos, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza é do grupo do atual procurador-geral da República Cláudio Fonteles. Foi colocado no posto de vice-procurador-geral pelo amigo de longa data. Forma, ao lado de Wagner Gonçalves e Roberto Monteiro Gurgel Santos, um quarteto batizado por eles mesmos de "confraria". Almoçam juntos toda semana. O futuro procurador-geral Antonio Fernando é querido pela corporação. Desde a última recondução de Geraldo Brindeiro ao posto de Procurador, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) realiza consulta aos filiados para entregar uma lista tríplice ao presidente da República. Três listas foram feitas em 2001, 2003 e, a última, no dia 5 de maio. Em todas, o nome de Antonio Fernando aparece. Na mais recente, em primeiro lugar, seguido do companheiro Wagner Gonçalves e de Ela Wiecko. O futuro procurador-geral nasceu em Fortaleza, em 1948. Fez a vida no Paraná, onde formou-se em Direito e tornou-se procurador em 1975. O perfil futebolístico mudará com o novo comando. O vascaíno Fonteles dará lugar a um forte torcedor do Atlético Paranaense. O futuro procurador-geral fez parte da Câmara de Coordenação e Revisão do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural de 1998 a 2004. Antonio Fernando sempre teve atuação destacada nessa área. Foi dele a primeira ação civil pública ambiental do país, protocolada em 1986. A ação visava interromper a construção da Estrada do Colono, trecho da BR-163, que corta o Parque Nacional do Iguaçu em uma área de 18 km. Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, o parque quase perdeu o título por conta da construção. Até hoje a obra não foi terminada e as ações na Justiça persistem. A pista ligaria as cidades de Serranópolis do Iguaçu e Capanema. Recentemente, Antonio Fernando coordenou, dentro do Ministério Público, as investigações da Operação Curupira, que desmantelou um esquema de desvio de madeira ilegal, em funcionamento há pelo menos 15 anos no Mato Grosso e Amazônia. Sua atuação também foi muito elogiada junto à Justiça Eleitoral. Atuando pela procuradoria-geral nas cortes eleitorais entre 1993 e 1995, é considerado como fundamental para a consolidação da jurisprudência nos primeiros anos de vigência da legislação eleitoral. (TVJ e JB)