Título: PT consegue apoio para investigar compra de votos
Autor: Henrique Gomes Batista
Fonte: Valor Econômico, 10/06/2005, Política, p. A7
O PT articulou com os demais partidos da base aliada uma reação, durante a madrugada de quarta-feira, e conseguiu apresentar, ontem, o requerimento para a criação, na Câmara, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Compra de Votos. A investigação vai analisar não apenas a denúncia de Roberto Jefferson (PTB-RJ) do pagamento, por parte do PT, de mesada a deputados do PP e do PL - o chamado mensalão -, como as denúncias de que houve compra de votos de parlamentares para a aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997. O principal objetivo do PT era esvaziar a criação da CPI do Mensalão, que tem como objetivo apurar apenas as denúncias contra o PT, PL e PP. No início da noite de quarta-feira, a CPI da Compra de Votos contava com apenas 80 assinaturas de deputados, todos do PT. A CPI do Mensalão, encabeçada pelo PPS, PDT e PV, já tinha mais de 90 assinaturas e o PMDB, PTB e PCdoB anunciaram que apoiariam a iniciativa. Esse fato fez o PT se apressar, contar com o apoio de todos os partidos da base aliada e, às 16 horas, apresentar o requerimento para a criação da CPI da Compra de Votos com 192 assinaturas. Para a CPI ser criada, 171 deputados precisam apoiar a medida. A CPI da Compra de Votos foi proposta como um projeto de resolução. Na prática, ela precisa ser aprovada em plenário para poder ser instalada. Uma vez votada, contudo, ela não entra na fila das CPIs propostas por requerimento. Atualmente há três CPIs em funcionamento na Câmara (Extermínio no Nordeste, Tráfico de Animais e Privatização do Setor Elétrico) e outras duas devem ser instaladas em breve. Como só funcionam cinco CPIs por requerimento simultaneamente, vão restar 32 propostas de comissão na espera. "Estamos confiantes que destrancaremos rapidamente a pauta de votações de Câmara para aprovar a resolução o mais rápido possível", afirmou o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Seu requerimento tem dois fatos determinados: as denúncias do mensalão e da compra de votos pela reeleição. "A Câmara, em outros momentos, talvez não tenha cumprido seu papel de analisar todas as denúncias", disse Arlindo, em uma referência ao caso da reeleição. Deputados acreditam que a existência desta CPI possa servir de anteparo às investigações da CPI dos Correios. O governo conseguiu com esta CPI, além de esvaziar a CPI do Mensalão, provocar uma rápida reação da base aliada, dar discurso "ético" aos deputados governistas e dividir as atenções com a recém-instalada CPI dos Correios. "Uma CPI pode ajudar outra", afirmou o líder do PSB, Renato Casagrande (ES). Raul Jungmann (PPS-PE), um dos maiores articuladores da CPI do Mensalão, acusou o governo de golpe. "Procurei o líder do PT, Paulo Rocha (PA) para fecharmos um acordo e ele sequer me respondeu, o governo trocou a operação abafa pela operação disfarça", disse. O deputado afirmou que já tem 175 assinaturas de deputados e 40 de senadores para apresentar a CPI mista da mesada do PT.