Título: Bastos nega que reforma desvie foco de CPI
Autor: Taciana Collet
Fonte: Valor Econômico, 10/06/2005, Política, p. A10
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, anunciou, ontem, durante o 4ª Fórum Global de Combate à Corrupção, em Brasília, que o governo pretende encaminhar um projeto de reforma política ao Congresso Nacional. A reforma política será centralizada em três questões principais, segundo Thomaz Bastos: aperfeiçoamento das regras do sistema eleitoral, fortalecimento dos partidos políticos e alteração do financiamento de campanhas. O projeto deverá ser enviado para o aval do presidente Lula em 45 dias. O ministro da Justiça negou que o projeto seja uma tentativa de desviar a atenção da CPI dos Correios e das suspeitas de pagamento de "mensalidades" a parlamentares pelo PT. "Não estamos nem um pouco desviando a atenção da CPI. Nós estamos apoiando a CPI", ressaltou Bastos. "O governo tem esse projeto de reforma política em seu programa desde os tempos do Instituto de Cidadania", justificou. Pressionado pelos jornalistas, o ministro da Justiça admitiu que o governo está tentando contornar o momento de crise com medidas positivas. "Pretendemos transformar a crise numa oportunidade. Já que estamos num momento em que as coisas estão sendo debatidas, nada melhor do que retomar este debate", disse sobre a reforma política. Bastos ressaltou que o governo não teme as supostas ameaças do presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), que teria provas de envolvimento de integrantes do PT nas denúncias de pagamento de "mesadas" a parlamentares. "O governo não teme nada. Já mostrou isso. Nós não temos nenhum tipo de temor. O presidente tem reiterado que o nosso trabalho é impessoal, que não protege e não persegue ninguém", afirmou. O governo irá partir dos textos sobre o assunto que já foram aprovados pelo Senado e tramitam na Câmara dos Deputados. O material será sistematizado pelo ministro da Justiça que já iniciou contatos com parlamentares. Bastos ressaltou que quer a participação da oposição nos debates. Ele também pretende ouvir empresários, setores produtivos, universidades e movimentos sociais. O ministro acredita que as discussões em torno da reforma irão ajudar no combate à corrupção. "Definir como será o financiamento de campanha é uma coisa muito importante no combate à corrupção. Nós todos sabemos disso. O fortalecimento dos partidos políticos, o estabelecimento de regras eleitorais claras, tudo isso ajuda dentro de um processo de saneamento na vida pública brasileira." O governo procurou mostrar os seus esforços no combate à corrupção às delegações internacionais presentes no Fórum organizado pela ONU. A Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal tinham "stands" com resumos de suas atividades contra o crime e o desvio de verbas públicas. A PF divulgou a realização de 49 grandes operações nos últimos 30 meses, nas quais foram presas 1.006 pessoas. Dessas, 465 são servidores públicos. Segundo a PF, em quatro operações foram desmontadas quadrilhas que desviaram R$ 2,7 bilhões dos cofres públicos.