Título: Genoino sustenta manutenção da aliança com o PTB
Autor: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico, 10/06/2005, Política, p. A10

O PT sustenta que manterá a política de alianças com todos os partidos da base aliada e defende postura de autonomia em relação ao governo. O presidente da legenda, José Genoino, negou ontem sofrer pressões do Planalto para derrubar o tesoureiro Delúbio Soares e disse ter diálogos constantes com presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ninguém no governo fez qualquer proposta individual ou coletiva. Falei com Lula, mas não sobre esse assunto, porque esse assunto é responsabilidade do PT." Genoino rebateu a declaração do ministro Olívio Dutra (Cidades), de que a crise enfrentada pelo partido e pelo governo é "fruto de má companhia" e ressaltou a afirmação de José Dirceu, de direcionar as críticas para o partido, é "totalmente diferente". "(Dirceu) sempre defendeu a política de alianças e o trabalho. A opinião de Dutra é individual. Não podemos confundir o partido com a pessoa." Junto com o presidente da legenda, Delúbio passou ontem o dia na sede nacional do partido, em São Paulo, junto a dirigentes. Desde o começo da crise envolvendo o partido, Genoino não saiu de São Paulo e disse que pretende permanecer próximo à sede da legenda até, pelo menos, o ato marcado para a reunião do Diretório Nacional. O líder do PT garantiu que o partido não descartará o acordo com o PTB nem o apoio de nenhum partido da base. "As alianças são importantes e queremos melhorar o relacionamento com os partidos aliados. Nós estamos governando o país com eles. A aliança é importante e queremos valorizá-la. Não é um caso isolado que vai prejudicar e vai contaminar essa aliança. " Com a aprovação da CPI dos Correios, mesmo contrariando o partido, Genoino afirmou que o partido vai "trabalhar com a bancada" e defendeu um "clima de unidade" dentro do partido. "A bancada fez mudança de posição que a Executiva está acompanhando. Temos diferenças quando avaliamos a política de alianças ou a política econômica, mas a defesa do partido e o enfrentamento de nossos adversários produz um clima de unidade." Sobre a reforma política, defendida pelo presidente Lula com o desenrolar da crise, o presidente do partido lembrou que o PT já defendera a proposta, sem apoio do Planalto. "Acho positivo o governo se empenhar para aprovar, mas ela já está tramitando. Já tínhamos tomado resolução nesse sentido, negociamos com demais partidos e fizemos propostas de acordo com o PFL, PMDB, PSDB." Para evitar conflitos com o governo federal, procurou descartar a possibilidade de o apoio do Planalto para a aprovação da reforma política ser vista como uma resposta à turbulência enfrentada: "A crise nós estamos resolvendo com a unidade do PT, com ações do governo e investigações. A reforma está posta como uma necessidade." Em consonância ao discurso do presidente Lula de apoio à reforma política, Genoino defendeu as mudanças estruturais no processo político e para 2006 disse esperar a votação da fidelidade com prazo de filiação, a mudança no regimento das Casas "para evitar troca-troca de partidos", a votação da possibilidade de federação dos partidos "para evitar blocos depois das eleições". Para 2008, defendeu a aprovação do financiamento público de campanha e da votação em lista. Genoino disse não se preocupar com os reflexos da crise na reeleição de Lula em 2006. "O projeto do PT é maior do que esta ou aquela liderança. É isso que me move para enfrentar dificuldades".