Título: UE descarta rastreabilidade de animais por lot
Autor: Alda do Amaral Rocha
Fonte: Valor Econômico, 10/06/2005, Agronegócios, p. B14
A União Européia não aceitou a proposta brasileira para a rastreabilidade do gado bovino apresentada esta semana por representantes do Ministério da Agricultura em Bruxelas. A Comissão Européia continuará exigindo a identificação individual dos animais cuja carne é destinada à exportação para o bloco. Pela proposta brasileira, que altera o Sisbov - Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina - , além da identificação individual, seria permitida também a identificação por lote de animais, o que os europeus não aceitaram. A UE alega que a identificação tem de ser individual para que haja garantias sobre a sanidade do animal desde a fazenda até o corte bovino vendido no supermercado. Em nota, o Ministério disse que "os europeus reafirmaram que consideram a rastreabilidade um item inegociável no comércio bilateral". Ainda na mesma nota, o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo, Márcio Portocarrero, que se reuniu com representantes da Comissão Européia de Proteção da Saúde e do Consumidor, disse que "a carne de gado exportada para a Comunidade Européia deve estar certificada, os animais precisam ser identificados individualmente e as propriedades rurais cadastradas". Conforme o secretário, a UE quer também que as questões sanitárias, o manejo fitozoossanitário e a alimentação animal sejam contempladas no sistema de certificação de carne para exportação. A proposta brasileira visava dar aos criadores uma opção à identificação individual e, dessa forma, atrair mais pecuaristas ao sistema. Para o presidente da Abiec (reúne exportadores de carne bovina), Pratini de Moraes, não ter rastreabilidade hoje é "dizer não a mercados como a União Européia, Japão e Estados Unidos". O governo vai convocar, nos próximos dias, a cadeia produtiva da carne bovina para discutir a reestruturação do Sisbov. (AAR e AM)