Título: CPI reúne-se hoje sem acordo para presidente e relator
Autor: Henrique Gomes Batista
Fonte: Valor Econômico, 14/06/2005, Política, p. A8
Crise Líderes da base tentam alternativas para evitar um "oposicionista aguerrido" na coordenação
A escolha do presidente e do relator da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, marcada para hoje, às 10h, deve ocorrer sem acordo. Governo e oposição não conseguiram, até a noite de ontem, chegar a um consenso sobre os nomes de coordenação da comissão. O governo ainda tentava um caminho alternativo, para impedir que a presidência da CPI ficasse com alguém considerado "oposicionista aguerrido". O impasse na CPI começou na quinta-feira, quando o governo não aceitou o nome de César Borges (PFL-BA) para a presidência da comissão. Borges é considerado muito ligado a Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e excessivamente oposicionista. Para o governo, não há hipótese de fechar um acordo caso o PFL mantenha o nome de Borges. Governistas admitiram que não há diálogo com a oposição caso o nome seja totalmente alinhado com o do senador Antonio Carlos Magalhães. A estratégia de governo para controlar a CPI dos Correios divide os líderes da base. Em reunião realizada ontem para discutir novamente quais nomes serão indicados para ocupar a presidência e a relatoria da comissão, parte dos governistas insistia na necessidade de buscar um diálogo com a oposição, enquanto outros líderes alertavam para a necessidade de o governo ter um nome de extrema confiança na presidência. Chegou-se a cogitar o nome do senador Jefferson Péres (PDT-AM) como uma possível saída que propiciasse um acordo, mas o Executivo rejeitou. Até a noite de ontem, estavam sob análise do governo os seguintes nomes para presidir a CPI: dos senadores Rodolpho Tourinho (PFL-BA) e Sérgio Guerra (PSDB-PE), e do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). Os governistas decidiram propor o nome de Tourinho pelo fato de ser também da Bahia, mas ser considerado um senador mais independente e moderado, apesar de apadrinhado no passado pelo senador Antonio Carlos Magalhães. Os líderes da base ainda apostavam num acordo com o PSDB. Como a votação para escolha de presidente e relator será secreta, os governistas indicavam a possibilidade de eleição de um tucano moderado. O governo tem uma margem muito estreita de vantagem numa votação secreta: apenas seis votos. "Fomos sondados pelo governo mas não vamos trair o PFL, que fez conosco uma frente de oposição eficaz. Estamos com o PFL e se o PFL está com César Borges, estamos com César Borges", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). O líder do PFL, José Agripino Maia (RN), confirmou que não há hipótese de o partido abandonar Borges. "Não se pode considerar nenhum dos argumentos do governo para vetar Borges, ele é ético, competente e experiente". O PMDB, segundo relatos de senadores, defende a tese de que o governo precisa controlar a CPI. "Muita gente tem aconselhado o governo a não entregar a jugular para a oposição", disse um governista. Na reunião, os parlamentares discutiram qual seria o impacto caso o governo rejeitasse um acordo com a oposição. Alguns defenderam que é melhor suportar as críticas na mídia e da opinião pública por alguns dias a ter a espada na cabeça por seis meses ou mais caso a presidência da CPI fique com alguém da oposição. (Colaborou Maria Lúcia Delgado)