Título: Secretário alemão prevê desequilíbrio global se política chinesa perdurar
Autor: Sérgio Bueno
Fonte: Valor Econômico, 14/06/2005, Internacional, p. A11

O secretário de Estado do Ministério das Finanças da Alemanha (cargo equivalente ao de vice-ministro), Caio Koch-Weser, defende que a China adote um novo modelo de desenvolvimento nos próximos anos para evitar "maiores desequilíbrios" na economia global. A alternativa, na opinião dele, deve ser "menos baseada" no crescimento das exportações e nos investimentos estrangeiros diretos e mais no fortalecimento da demanda interna do país. "Estou preocupado, pois, se não conseguirmos resolver esses desequilíbrios nos próximos anos, teremos uma grande vulnerabilidade no sistema internacional", admitiu o secretário. Na opinião dele, o câmbio desvalorizado, as diferenças salariais e de renda per capita entre a Europa e países como China e Índia deram a essas regiões vantagens competitivas para se transformar em pólos exportadores de produtos e serviços e também de atração de investimentos. "Nos próximos 10 a 30 anos, essa situação provocará uma série de problemas ainda difíceis de avaliar", comentou Koch-Weser. "A China não pode continuar aumentando suas exportações na faixa de 20% a 30% ao ano", enfatizou o secretário. Apesar do recente acordo para a limitação das exportações de produtos têxteis chineses para a União Européia, o secretário considera a hipótese de aumentar os níveis de proteção aduaneira contra a China de forma generalizada seria a "pior solução". "A China tem 1,3 bilhão de habitantes e precisa elevar gradualmente os salários" dos trabalhadores para aumentar a demanda interna, recomenda. Koch-Weser também reforçou a importância do cumprimento, pelas autoridades chinesas, da recomendação aprovada na última reunião do G-8, grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia, de implantação uma "maior flexibilidade" da taxa de câmbio na China. Junto com a redução do déficit público nos EUA e no Japão e as reformas estruturais na Europa, o reajuste da moeda chinesa é necessário para "reequilibrar" a economia mundial nos próximos anos, afirma o secretário. Para ele, a revalorização cambial, que reduziria os níveis de competitividade dos produtos chineses ante os concorrentes internacionais, também pode ser feita de forma segura devido à alta reserva de divisas do país, na faixa dos US$ 650 bilhões.