Título: Viegas considera caso Herzog encerrado
Autor: Taciana Collet
Fonte: Valor Econômico, 21/10/2004, Política, p. A-8

O ministro da Defesa, José Viegas, disse ontem que não prevê "seqüelas" do episódio em que o Exército acusou de "revanchismo" a publicação de novas informações sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog, em outubro de 1975 e, depois, teve de se retratar. "O governo considera esse caso superado. Não acredito que ficarão resquícios. Temos confiança no profissionalismo das Forças Armadas de maneira que não prevejo seqüelas", afirmou Viegas. Em reação ao material publicado pelo jornal "Correio Braziliense" no domingo, com fotos de Herzog nu, humilhado na prisão , o Centro de Comunicação Social do Exército divulgou nota no dia 17 de outubro exaltando o golpe militar de 64. Na nota de correção publicada ontem, assinada pelo comandante do Exército, Francisco Albuquerque, o Exército lamentou, pela primeira vez, a morte de Vladimir Herzog. Questionado se não temia uma reação dos militares da reserva com o teor da nota assinada pelo comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, o ministro respondeu: "Espero que não. A nota de correção era necessária para corrigir distorções e enfoques errôneos que a primeira nota continha." Viegas disse que considerou "muito infeliz" o trecho da primeira nota, de 17 de outubro, que dizia que "quanto às mortes que teriam ocorrido durante as operações, o Ministério da Defesa tem, insistentemente, enfatizado que não há documentos históricos que as comprovem, tendo em vista que os registros operacionais e da atividade de inteligência da época foram destruídos em virtude de determinação legal." O ministro observou que ele tem dito que os arquivos destruídos tratam especificamente daqueles referentes à guerrilha do Araguaia. "De maneira que transferir essa afirmação em uma exoneração mais ampla com relação a outros episódios é indevido e não corresponde aos fatos", lamentou, em entrevista, no Palácio do Planalto, depois de participar de um seminário promovido pelos ministérios da Defesa e Ciência e Tecnologia. Viegas disse desconhecer as declarações do ex-agente do serviço de inteligência do Exército, cabo José Alves Firmino, de que uma grande quantidade de documentos produzidos pela repressão foi preservada e está num arquivo subterrâneo do Pavilhão 31 de março no Setor Militar Urbano em Brasília. "Vou procurar me informar a esse respeito", observou. "Não tenho motivo de ficar revolvendo esses casos do passado. Eles pertencem à história e devem ser analisados por historiadores e não fazem parte da preocupação imediata do ministério da Defesa".