Título: Exportação de celulares cresce mais de seis vezes
Autor: Daniel Rittner
Fonte: Valor Econômico, 14/06/2005, Empresas &, p. B4
Telefonia móvel De janeiro a maio, embarques foram de US$ 486 milhões
Mesmo com o mercado interno de telefonia móvel ainda aquecido, as exportações de celulares cresceram mais de seis vezes nos cinco primeiros meses de 2005, superando a receita obtida com as vendas feitas em todo o ano passado. De janeiro a maio, os embarques chegaram a US$ 486 milhões - contra US$ 74 milhões em igual período de 2004. Os aparelhos de telefone celular respondem por 56% das exportações da Zona Franca de Manaus, que concentra a produção brasileira. No ano passado inteiro, as vendas de celulares ao exterior alcançaram 4,5 milhões de unidades, totalizando exatamente US$ 300 milhões. Em 2005, até abril - os indicadores de volume de maio ainda não foram divulgados -, o pólo industrial de Manaus exportou seis milhões de aparelhos, que geraram receita de US$ 393 milhões. O crescimento mais forte da quantidade do que o do valor exportado se explica pelo "mix" de produtos direcionados ao exterior. Em 2004, com a explosão de vendas de celulares no Brasil, as empresas tiveram que centralizar os seus esforços no mercado interno. O número de telefones habilitados saltou de 45 milhões para 65 milhões. "Não podíamos deixar o mercado doméstico desabastecido", afirmou o presidente da Nokia, Fernando Terni. Essa conjuntura levou a subsidiária da multinacional finlandesa, maior exportadora de telefones do país, a priorizar a venda de modelos de celulares mais caros e sofisticados no ano passado. Era um forma de minimizar a queda do valor exportado. Agora, a Nokia começou a colher os efeitos de um investimento de US$ 120 milhões, com a contratação de mil trabalhadores, na planta em Manaus. A empresa não divulga previsões, mas diz que neste ano se voltou novamente para o mercado externo, principalmente EUA, com diversificação dos modelos. Segundo o executivo da Nokia, o mercado doméstico cresce em um ritmo menor do que no ano passado, mas está longe da estagnação. A Siemens, na vice-liderança das exportações em Manaus, vê um "boom" nos seus embarques de celulares. O total de vendas aumentou de US$ 6 milhões, nos cinco primeiros meses do ano passado, para US$ 92 milhões em igual período de 2005. "Ampliamos fortemente a nossa fábrica no último trimestre de 2004 e estamos preparados para a meta de exportar 30% da produção neste ano", disse o diretor de telecomunicações, Humberto Cagno. Argentina e Chile são os principais mercados externos da filial brasileira da companhia alemã - que recentemente vendeu a área de telefonia móvel para a BenQ de Taiwan - e continuam com demanda crescente, completa Cagno. Segundo o diretor, a tendência de queda das vendas no Brasil no primeiro trimestre foi revertida em abril e maio. Ele esclarece que as mudanças anunciadas na semana passada pela matriz, que deixará a produção de celulares, "não muda em nada, no curto prazo, a relação com o mercado". A surpresa em relação aos destinos dos embarques foi a Hungria, que não importava praticamente nada do pólo de Manaus em 2004 e , entre janeiro e abril, já adquiriu US$ 59 milhões em celulares. Outra boa notícia da Zona Franca é o índice recorde de nacionalização de insumos. No primeiro trimestre, segundo a Suframa, 51% da cadeia produtiva era composta de materiais nacionais. Em 2000, essa marca chegava a apenas 44,9%.