Título: Visa Vale poderá atingir equilíbrio no final deste ano
Autor: Taís Fuoco
Fonte: Valor Econômico, 14/06/2005, Finanças, p. C1

A Visa Vale, companhia criada pelo Bradesco, BB Banco de Investimentos, Banco Real e Visa Internacional, pretende antecipar para o final deste ano o equilíbrio entre receita e despesas e o retorno do investimento feito pelos acionistas no lançamento de sua operação, há dois anos. O aporte inicial foi de US$ 3 milhões. De acordo com Newton Neiva, presidente da companhia de cartões magnéticos para benefícios de refeição e alimentação, a estimativa inicial, traçada no plano de negócios da empresa, era de que o equilíbrio ("breakeven") aconteceria em 2007, enquanto o retorno do investimento viria até 2009. "Este ano faremos nossa primeira distribuição de dividendos " , afirmou. Como a companhia é fechada, entretanto, ele não informou a margem de lucratividade esperada. Com dois anos completados na última sexta-feira, a Visa Vale projeta uma receita de R$ 2,6 bilhões para o exercício 2005, montante 60% superior aos R$ 1,6 bilhão alcançados em 2004. "Com esse volume de receita, teremos atingido 40% do mercado, índice que só era esperado depois de cinco anos de operação", ressaltou. Na avaliação de Neiva, as vantagens da Visa Vale para crescer tão depressa foram o fato de já nascer com uma operação eletrônica e de ter a rede de estabelecimentos comerciais da Visa a seu favor, já que os cartões usam o mesmo terminal Visa no supermercado ou nos restaurantes e lanchonetes. Os bancos que são sócios da companhia, e também clientes ao fornecer seus cartões como benefício aos funcionários, geram cerca de 20% da sua receita anual, disse ele. Quando a Visa Vale entrou em operação, em junho de 2003, mais de 90% do mercado estava nas mãos das francesas Sodexho e Ticket/Accor, além da paulista VR, em um segmento que já tinha quase 30 anos e movimenta hoje um faturamento anual de cerca de R$ 8,2 bilhões. Enquanto as concorrentes estimam que os vales-refeição e alimentação em papel perdurem por mais dois anos, a Visa Vale só fornece o benefício em cartões magnéticos. A operação tem " um nível de terceirização bastante elevado " , segundo o executivo, o que faz com que a companhia tenha cerca de 80 funcionários, número que nas rivais beira os 700, segundo ele. A processadora das transações é a americana EDS e todo o relacionamento entre Visa Vale e as empresas que a utilizam na concessão do benefício é feito pela internet. "Temos também um sistema de gestão integrado com todos os fornecedores " , explicou Neiva, o que agiliza e simplifica o processo. Das empresas, a Visa Vale cobra cerca de R$ 1,30 mensais por cartão fornecido ao funcionário, enquanto dos estabelecimentos conveniados ela cobra uma média de 3% dos supermercados e varejistas e de 4,5% dos restaurantes e lanchonetes.