Título: Mercado, confiante, espera Jefferson
Autor: Luiz Sérgio Guimarães
Fonte: Valor Econômico, 14/06/2005, Finanças, p. C2
Na véspera do primeiro depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) à Câmara, os mercados financeiros não mostraram apreensão. O mercado futuro de juros da BM&F, alheio à turbulência política, optou pela via técnica da baixa, em sintonia com o consenso de que o Copom do Banco Central irá finalmente parar de subir a Selic, o dólar exibiu autoconfiança ao comprar a versão do acusador de que não dispõe de provas materiais de suas denúncias, o risco-país recuou 1,4%, para 422 pontos-base, e a Bovespa escolheu a prudência do "não pagar para ver". O volume de negócios da Bolsa paulista reduziu-se a R$ 968 milhões e o índice fechou em baixa de 0,20%. O pregão não conseguiu sustentar o otimismo matinal depois que surgiu, nas agências, entrevista da deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) confirmando ter recebido proposta de mudança para partido da base aliada em troca de dinheiro. Foi a primeira vez que a deputada falou. Seu depoimento é uma prova testemunhal de parte das acusações de Jefferson. Mas, se Raquel é prova de Jefferson, não é de si mesma: diz não ter provas da tentativa de corrupção. Mas ela mesma levanta a hipótese de que durante os trabalhos de apuração na Câmara venham a surgir tais provas. A desconfiança de alguns operadores de que Jefferson, um advogado criminalista, possa estar blefando quando garante não ter documentos e fitas não impediu o dólar de insistir em sua trilha primária de queda. Após ter encostado em R$ 2,50 na quinta-feira passada, caiu na sexta e ontem. Encerrou o dia a R$ 2,45, desvalorização de 0,93%. Só a conturbação política poderá retirar a moeda da via declinante. A perspectiva de estabilização do juro básico não desestimula as operações de arbitragem porque o prognóstico é de que a Selic permanecerá no atual patamar elevadíssimo de 19,75% até setembro. Não há pressa para o desmonte das arbitragens.
DI projeta queda da Selic em setembro
Na véspera do início da reunião de junho do Copom, o mercado futuro de juros da BM&F fechou consenso cerrado de que, após arrocho de 3,75 pontos percentuais, o BC se dará por satisfeito. A previsão de CDI se mantém em 19,76% de julho até setembro. O juro começará a cair na reunião de setembro do Copom. O contrato para a virada de setembro a outubro recua a 19,71%. Daí para frente, mais quedas. Para a virada do ano, o contrato recuou ontem de 19,35% para 19,25%. As quedas mais acentuadas foram registradas nos contratos mais longos. O mais negociado, referente a janeiro de 2007, tombou de 18,03% para 17,77%. Para coroar as apostas de manutenção da taxa básica, depois da "super-sexta" - os três principais índices de inflação do país mostram quedas superiores às previsões mais otimista -, ontem o Boletim Focus do BC mostrou nova baixa nas expectativas de inflação do mercado. O IPCA previsto para 2005 conheceu sua quarta queda seguida. Baixou de 6,32% para 6,21%. O prognóstico para os próximos 12 meses baixou de 5,38% para 5,11%, alinhando-se à meta perseguida para 2005. Para 2006, a expectativa é de 5%. São números que autorizam o BC a já festejar o sucesso, estritamente antiinflacionário, de sua política monetária.