Título: BNDES quer metas para bancos venderem PIBB no varejo
Autor: Felipe Frisch
Fonte: Valor Econômico, 14/06/2005, EU &, p. D2

A nova rodada de venda de cotas do fundo Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB) - carteira de ações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) -, deverá contar com um tempo maior de divulgação nos bancos. Da mesma forma, o BNDES estuda junto às instituições interessadas na distribuição formas especiais de remunerar os funcionários envolvidos na venda das cotas, estabelecendo metas, semelhante ao que existe na distribuição de CDBs, poupança e fundos. Também estão sendo estudadas modalidades específicas para participação de clubes de investimento na nova oferta. O objetivo das medidas é ampliar a participação das pessoas físicas, que na primeira operação, em julho do ano passado, responderam por metade da captação de R$ 600 milhões. Poucos meses após a oferta, no entanto, somente eles permaneceram no fundo. Enquanto que os institucionais converteram suas cotas em ações, já que o fundo replica o índice IBrX-50, da Bovespa. "Não há problema que a participação dos institucionais seja grande, mas com a eliminação das cotas deles, a liquidez acabou afetada", disse ontem o diretor financeiro do BNDES, Carlos Kawall, em evento realizado pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores - IBRI. A falta de liquidez criou dificuldades especialmente para quem tentou negociar cotas do PIBB diretamente no pregão da Bovespa. Essa possibilidade era um dos diferenciais do fundo divulgados na época do seu lançamento. Na avaliação de Kawall, um dos principais obstáculos para uma captação maior no ano passado foi a falta de informação dos clientes dos bancos. Além disso, o PIBB acabou concorrendo com produtos semelhantes das próprias instituições como fundos de ações, mas com taxa de administração mais baixa. "Os funcionários do BNDES tiveram dificuldade para comprar cotas do PIB, nas agências que ficam no prédio, e uma delas nem sabia do que se tratava", ilustra. Apesar da preocupação em atrair o pequeno investidor, a possibilidade de uso do Fundo de Garantia (FGTS) para comprar cotas, como existiu nas ofertas de ações da Vale do Rio Doce e da Petrobras, já foi abortada pelo BNDES. "Há restrições com relação ao risco principalmente para as pessoas de baixa renda", disse Kawall. A próxima captação do PIBB deve ocorrer no terceiro trimestre. Na avaliação do executivo, apesar da recente volatilidade, por enquanto, o mercado ainda está propício para a oferta. "Mas depende muito do momento do mercado", disse. O executivo, que recentemente assumiu a Superintendência de Mercado de Capitais do banco, espera uma captação próxima a R$ 1 bilhão dessa vez. Ele conta que o BNDES está em processo de escolha do banco coordenador para a operação. No ano passado, foi o Itaú. A participação do varejo está sendo uma das prioridades do BNDES nas demais ofertas em avaliação pelo banco. Uma delas é a de debêntures da própria instituição, que pode sair ao longo do segundo semestre também, dependendo das condições de mercado, disse. Uma das dificuldades atuais é definir a taxa de remuneração para os papéis, já que o banco usa a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para os seus financiamentos, mais baixa do que o DI tradicionalmente utilizado nos papéis de renda fixa. Para incentivar a atuação de pessoas físicas no mercado de renda fixa, o banco pensa em obrigar a adoção de formador de mercado nos papéis que o banco passará a comprar.