Título: Preservação de Lula passa pela redução do PT
Autor: César Felício
Fonte: Valor Econômico, 13/06/2005, Política, p. A8
Crise Os dois ex-presidentes das CPIs mais emblemáticas do país avaliam as saídas que a crise oferece ao Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será preservado dos desdobramentos da Comissão Parlamentar de Inquérito desde que mude o governo e diminua o espaço do PT na administração. A avaliação sobre as chances de Lula ser preservado é compartilhada pelos presidentes das CPIs mais emblemáticas da história do país: o ex-deputado Benito Gama, presidente da CPI que investigou PC Farias em 1992 e resultou no impeachment do presidente Fernando Collor, e o ex-senador Jarbas Passarinho, que comandou a CPI que apurou o escândalo dos anões do Orçamento, em 1993. Depois destas CPIs, realizadas na mesma legislatura, nenhuma outra rivalizou-se como parâmetro para a história das investigações parlamentares. Nos oito anos do governo Fernando Henrique, a base governista se empenhou, com sucesso, em impedir a instalação de várias comissões de inquérito: a do caso Sivam, em 1995, a do Proer, em 1996, a da compra de votos favoráveis à emenda da reeleição, em 1997, a das privatizações, em 1998 e uma CPI geral da corrupção, em 2001. Foram instaladas apenas três CPIs de impacto. A que investigou a emissão de títulos públicos por parte de prefeituras e governos estaduais, em 1996 e a do Judiciário e dos Bancos, ambas em 1999. A CPI dos Títulos Públicos abalou os governos estaduais de Alagoas, Santa Catarina e Pernambuco e o da Prefeitura de São Paulo, mas teve uma conclusão frustrante, segundo avalia hoje o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), relator da comissão. "O mesmo plenário que aprovou o meu relatório concordou com a federalização dos papéis irregulares, pouco tempo depois", diz. A CPI do Judiciário não atingiu o coração do governo: resultou na cassação do mandato do senador Luiz Estevão (PMDB), e indiretamente, afetou a eleição presidencial: a revelação de que houve quebra do sigilo na votação secreta provocou a renúncia do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) e cindiu a aliança que apoiava o presidente. A CPI dos Bancos provocou muito barulho ao investigar a liquidação dos bancos Marka e Fonte Cindam, durante a desvalorização do real. O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes chegou a ser preso por algumas horas, ao depor em plenário. Terminou contudo de maneira discreta, isentando o então ministro da Fazenda, Pedro Malan, de qualquer participação no episódio. No governo Lula, a CPI do Banestado causou nervosismo, já que se suspeitava que poderia servir de munição tanto contra o governo quanto contra a oposição. Desentendimentos entre o presidente da CPI, o senador tucano Antero Paes de Barros (MT), e o relator, o deputado petista José Mentor (SP), impediram até mesmo que houvesse votação de um relatório final.