Título: Pesquisa revela interesse das múltis pela América Latina
Autor: Paulo Henrique de Sousa
Fonte: Valor Econômico, 13/06/2005, Empresas &, p. B10
Manufatura De 226 empresas ouvidas, 42% delas têm planos para a região
Uma pesquisa da consultoria Deloitte Touche Tohmatsu com multinacionais manufatureiras revelou que a América Latina é o mercado com o maior potencial para receber investimentos estrangeiros nos próximos anos. Das 226 companhias consultadas, 42% disseram ter planos de entrar no mercado latino-americano ou expandir os negócios na região até 2007. Esse percentual é maior do que o de países como Japão (23,7%), Índia (22,8%) e Austrália, Nova Zelândia e Coréia do Sul - os três citados como destinos de investimentos por 22,4% das companhias estrangeiras ouvidas. O conjunto de empresas ouvidas fatura US$ 500 bilhões em setores como químico e farmacêutico, alimentício, eletrônica e informática, metais, equipamentos de transporte, bens de consumo, equipamentos elétricos e eletrodomésticos. Intitulada "Ampliando a Corporação Global", a pesquisa mostrou também que o Brasil ficou atrás de países como Chile, Venezuela e, principalmente, do México, no volume de capitais investido por empresas americanas de manufatura - segundo a Deloitte, os dados mais atuais desses países são de 2003. Enquanto o México levou US$ 1,7 bilhão e a Venezuela, US$ 321 milhões, o Brasil teve um fluxo negativo de US$ 742 milhões. O segmento de manufatura representa menos de um terço do investimento direto americano no Brasil. Em 2004, dos quase US$ 4 bilhões investidos pelos americanos no país, apenas 30% vieram do setor de manufatura. Mas o diretor de finanças corporativas da Deloitte, Ricardo de Carvalho, tem expectativa positiva para os próximos anos. Para ele, o segmento de fusões e aquisições já está dando mostras de reação desde o início de 2004. No ano passado, 30 multinacionais compraram empresas brasileiras e, neste ano, nove operações já foram fechadas. Carvalho observa que os estrangeiros estão interessados no Brasil porque o país estaria retomando um período de crescimento econômico, mesmo tendo registrado um crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,3% no primeiro trimestre. O executivo explica que a economia cresce menos nesse trimestre. "O país começa mesmo só depois do carnaval". Nem mesmo a eleição presidencial do ano que vem arrefeceria os ânimos dos estrangeiros em relação ao Brasil. O economista da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da globalização Econômica (Sobeet), Fernando Ribeiro, concorda com Carvalho sobre o potencial brasileiro de atrair investimentos estrangeiros. A Sobeet deverá aumentar a estimativa inicial de US$ 15 bilhões para o total de investimento estrangeiro direto neste ano. No ano passado, o Brasil recebeu US$ 16 bilhões. O surpreendente, nas estatísticas, é que o país que mais investiu no Brasil foi a Holanda - US$ 7,7 bilhões. Mas o resultado pode ser considerado artificial, já que foi causado pela negócio fechado entre a AmBev e cervejaria belga Interbrew, operação registrada na Holanda por causa dos impostos menores. Mas Ribeiro faz algumas ressalvas para que o país se consolide como destino de investimentos estrangeiros. Na avaliação dele, o país precisa crescer mais e definir um "ambiente regulatório" estável para algumas áreas, principalmente em infra-estrutura, como energia elétrica e saneamento.