Título: Tensão Pré-Jefferson supera a clássica TPC
Autor: Luiz Sérgio Guimarães
Fonte: Valor Econômico, 13/06/2005, Finanças, p. C2
A crise política e a reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central irão condicionar o comportamento dos mercados financeiros esta semana. A nova entrevista do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) à "Folha de S.Paulo", publicada ontem, volta a conturbar o ambiente dos mercados. Na sexta-feira, eles ensaiaram um desafogo por conta das informações de que Jefferson não tem provas documentais ou fitas capazes de sustentar as suas denúncias. Os pregões se movimentaram na sexta-feira na esperança de que nem a arena política nem o Copom irão produzir notícias ruins adicionais. A aposta era de diminuição na temperatura política de Brasília e de interrupção pelo BC do ciclo de aperto monetário iniciado em setembro de 2004. Após cinco quedas, a Bovespa fechou em alta de 1,91%, a 24.950 pontos. O dólar recuou 0,96%, para R$ 2,4730. E o risco-país, a 428 pontos-base, desabou 3,39%. Mas, mesmo sem provas, o potencial de geração de turbulências do depoimento que Jefferson prestará amanhã na Câmara não deixará o mercado respirar direito. A Tensão Pré-Jefferson supera largamente a tradicional Tensão Pré-Copom (TPC). Os mercados receberam com alívio o recado transmitido por correligionários de Jefferson de que o deputado não dispõe de nenhuma fita gravada comprovando as acusações. No meio da semana circulou o rumor de que ele tinha em seu poder 52 fitas. O raciocínio dos analistas foi de que se Jefferson não tem fitas, ele não tem nada, a não ser a sua palavra, já que corrupção com recibo passado e assinado é caso raro. Sem provas, será desqualificado e desmoralizado nos depoimentos. Nessa hipótese, a crise se encaminharia para um desfecho rápido. Restaria a análise posterior sobre os efeitos das denúncias à reeleição de Lula. Mas, em sua nova entrevista, o deputado insinua a possibilidade de suas revelações serem amparadas pelo testemunho de outros políticos. Nas preocupações do mercado consta ainda a reforma ministerial. Não dá para apostar na continuidade do otimismo que prevaleceu sexta-feira. A Tensão Pré-Copom está muito tênue este mês. Na sexta-feira, foram divulgados três importantes índices de inflação, todos na mesma direção: a inflação corrente não preocupa. O IPCA de maio, 0,49%, ficou aquém da expectativa média dos economistas, de 0,55%. Também a primeira quadrissemana de junho do IPC FIPE veio abaixo das previsões. Foi de 0,19%, quando os analistas esperavam algo entre 0,25% a 0,45%. A primeira prévia do mês do IGP-M acusou deflação muito forte, de 0,30%. Anestesiada pelo aperto monetário e a apreciação cambial, a inflação se alia à redução da atividade econômica para convencer o Copom de que, em 19,75%, a Selic está de bom tamanho. Os juros caíram em bloco no mercado futuro da BM&F na sexta-feira. O contrato mais curto, para a virada do mês, recuou de 19,79% para 19,76%. O contrato mais negociado, para a virada de 2006, caiu de 18,25% para 18,03%.
Bovespa sobe 1,91%; risco-país tomba 3,4%
Serão divulgados esta semana os dois principais índices sobre a inflação americana. Ambos relativos a maio. Amanhã, sai o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês). Os analistas internacionais prevêem deflação de 0,20% no índice cheio, ante alta de 0,60% em abril. O núcleo deve cair de 0,30% para 0,20%. Na quarta-feira será divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI). O prognóstico é de índice cheio de 0,10%, contra 0,50% em abril, mas o núcleo deve avançar para 0,20% ante zero no mês anterior. O cenário desenhado após os pronunciamentos feitos na semana passada pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Alan Greenspan - de que a economia americana está firme, requerendo a continuidade do aperto monetário - só será mudado se vierem surpresas muito acentuadas no PPI ou no CPI.