Título: Varejo deposita esperanças em programa federal
Autor: Ricardo Cesar e João Luiz Rosa
Fonte: Valor Econômico, 15/06/2005, Empresas &, p. B3

É o empurrão que falta. Assim os grandes varejistas, analistas e fabricantes de computadores pessoais definem o projeto PC Conectado, do governo federal. Com a retomada das vendas este ano, o setor acredita que a iniciativa amenizará dois entraves que permanecem no mercado: o custo dos equipamentos e as limitações em oferta de crédito. A expectativa é que o BNDES ofereça condições especiais para que o varejo adquira os equipamentos. Isso seria repassado ao consumidor para incentivar as vendas. "Se o programa PC Conectado vier, teremos uma elasticidade muito significativa na oferta de crédito. Isso é fundamental paras as vendas de artigos mais caros", afirma Marcelo Bazzali, diretor de gestão de categoria eletro do Extra. "Apoiamos a iniciativa do governo." A opinião é compartilhada por Frederico Trajano, diretor de vendas e marketing da rede Magazine Luiza. A margem de lucro que os idealizadores do programa estão considerando é baixa, mas o modelo tem vantagens ao propor uma maneira desburocratizada de oferecer crédito ao consumidor, avalia o executivo. "Estamos apoiando o projeto e participando das discussões", diz. Entre os fabricantes de computadores a expectativa não é diferente. Heman Molina, diretor corporativo da Novadata, empresa brasileira que monta PCs, acredita que a iniciativa do governo vai aquecer o mercado. "O varejo terá um dinheiro barato e vai jogar com as taxas de juros para fazer volume. A idéia é vender muito, mesmo que seja com uma margem baixa", diz. "O governo entendeu que o varejo é o canal certo para viabilizar o PC conectado." Outro efeito benéfico que o programa deve gerar é a redução do chamado mercado cinza, composto por máquinas montadas com peças contrabandeadas. No Brasil, 74% do volume de PCs comercializados envolve equipamentos ilegais. Para Denis Gaia, analista da consultoria IDC, o PC Conectado ganhará uma fatia do mercado cinza, mas não deve criar uma nova demanda. "Já existe PC de baixo custo, mas ele é ilegal. A diferença é que quem comprava esta máquina terá a chance de se legalizar."