Título: Fundações querem 'porta de saída' via Bolsa
Autor: Catherine Vieira
Fonte: Valor Econômico, 15/06/2005, Finanças, p. C3

Fundos de Pensão Para investir em projetos de infra-estrutura, entidades defendem a venda ações no mercado

Os fundos de pensão querem que o Novo Mercado, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), seja a principal porta de saída para os investimentos em infra-estrutura e outros feitos por meio de fundos de participações. Em seminário ontem, no Rio, sobre o investimento dos fundos nas Parcerias Público Privadas (PPPs), o diretor de investimentos da Petros (fundo de pensão dos petroleiros), Ricardo Malavazi, apresentou os vários formatos possíveis de investimento e defendeu o Novo Mercado como a melhor porta de saída. "Sou um entusiasta da Bovespa, as regras já estão todas estabelecidas e acordadas pelos agentes do mercado", disse Malavazi. "A idéia é colocar nos contratos já esse compromisso de, em determinado ponto, começar a trabalhar regras de governança e programar a abertura de capital no Novo Mercado. Com isso, não seria preciso necessariamente buscar um investidor estratégico para vender a participação, isso poderia ser feito por meio da oferta na bolsa", completou ele, acrescentando que a Petros já está começando a adotar essa postura em alguns de seus investimentos de longo prazo. O diretor da Petros participou de painel junto com o presidente da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) e dos diretores da Funcef (da Caixa Econômica Federal) e da Valia (da Vale do Rio Doce). Ele citou ainda a CCR como um exemplo de viabilidade do modelo que os fundos poderiam adotar. "É uma companhia de concessões que abriu capital no Novo Mercado há alguns anos." Malavazi ressaltou que muitos dos investimentos em infra-estrutura deverão ser feitos com concessões, mais do que por PPPs, de acordo com as informações até agora disponíveis. Ele mostrou que os investimentos poderiam ser feitos via a compra direta de ações de Sociedades de Propósito Específico ou por meio debêntures, recebíveis e fundos de "private equity". Todos os diretores de fundos que estavam palestrando demonstraram apetite por fundos de participações. Outra visão defendida por eles é a necessidade de alongamento das carteiras. Segundo Manoel Cordeiro, da Valia, os fundos são grandes investidores e devem se preparar com antecedência para a queda da taxa de juro que, segundo ele, pode começar, quem sabe, esta semana. "É preciso tomar cuidado com a armadilha do juro de curto prazo, pois na hora em que as taxas virarem, será difícil se adequar", disse Cordeiro, acrescentando que é preferível buscar ganhos sustentáveis. Malavazi, da Petros, concorda com a necessidade de alongamento, mas não acredita em queda do juro já.