Título: Bancada mantém pressão, mas faz aceno a Genoino
Autor: Maria Cristina Fernandes
Fonte: Valor Econômico, 15/06/2005, Política, p. A8

Diante dos descompassos de petistas e divergências públicas sobre o futuro do tesoureiro do PT, Delúbio Soares, a cúpula partidária acertou que o assunto volta à pauta hoje, na reunião do Campo Majoritário do partido. As bancadas petistas, que manifestaram o desejo de afastamento do tesoureiro, tiveram que recuar, diante de apelos do presidente da legenda, José Genoíno. A avaliação de petistas, ontem, é que a permanência de Delúbio fica insustentável após a decisão do deputado José Dirceu de se afastar da Casa Civil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ontem receberia a bancada petista, adiou o encontro. Lula negociava a reforma ministerial e a saída de Dirceu. Na avaliação do governo, receber os petistas poderia ser um sinal de que o Palácio do Planalto compactuava com a pressão pelo afastamento de Delúbio Soares. O líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS), foi à tribuna ontem para manifestar publicamente a solidariedade a Lula num momento de crise e tentar melhorar as relações com o presidente do PT. "Reitero a nossa defesa, a nossa confiança e, acima de tudo, o nosso empenho e o nosso trabalho junto ao presidente José Genoíno para, com ele, discutir nossos pontos de vistas, colocar as nossas divergências, mas, principalmente, tratar com respeito e consideração aquilo que é mais importante e crucial para o nosso partido que foi construído ao longo desses 25 anos, que é a ética e a moral, uma belíssima história", disse o líder petista. Delcídio enfatizou que a bancada estará "alinhada" com Genoíno, ajudando a consolidar o PT. Na carta, assinada pelos 13 senadores petistas, os parlamentares concluem que "a grave crise vivida hoje no país precisa ser objeto de reflexão por todos". Eles enfatizam, ainda, que o PT foi construído de baixo para cima, "trazendo para a cena política brasileira a crença na ética, na política como farol a guiar os passos de todos os que buscam a libertação". Os senadores afirmam que as atuais denúncias tentam "aviltar" a história do PT. "Não hesitam em atingir, indistintamente, partidos políticos, o Congresso Nacional e setores do próprio Executivo, fazendo deste um dos momentos mais graves por que já passou o Brasil", disse Delcídio na tribuna, reproduzindo trecho da carta aberta. O presidente Lula, segundo os senadores, não é um patrimônio apenas do PT, mas de todos os que se empenham em construir um país com justiça social. "Ele tem demonstrado, à frente de nosso governo, total intransigência em relação às práticas ilícitas", disse o líder do PT. Na Câmara, os deputados da esquerda petista pretendem entregar a Lula uma outra carta em que pedem mudanças no ministério, reformulação da política de alianças e no relacionamento do Executivo com o Congresso.