Título: Indústria paulista pisa no freio e reduz contratações
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 17/06/2005, Brasil, p. A3
O desaquecimento da economia começa a se refletir nos indicadores da indústria paulista. Em maio, foram gerados 7.038 postos de trabalho no setor, a menor quantidade para o mês desde o início da série histórica da pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em 2000. Em termos percentuais, o nível de emprego cedeu 0,06% sobre abril, segundo dados com ajuste sazonal. Ainda que o saldo de empregos tenha sido positivo, o ritmo de contratações perdeu força. Em maio do ano passado, por exemplo, haviam sido criadas mais de 19,8 mil vagas. No acumulado do ano, o indicador avançou 6,59%, sendo que nesse período foram criados 50.118 postos, bem abaixo dos 81.485 de janeiro a maio de 2004. Nos últimos doze meses, a alta no emprego está em 5,63%. Para Paulo Skaf, presidente da Fiesp, o desempenho mais fraco da indústria reflete os juros altos e a valorização do câmbio. "Mesmo que em termos percentuais o emprego tenha se mantido quase estável, a tendência do indicador já é decrescente", afirma Skaf. A variação negativa no nível de emprego entre abril e maio foi a primeira desde dezembro de 2003, quando o indicador apontou retração de 0,27%. Segundo o levantamento da entidade, 22 dos 47 sindicatos pesquisados contrataram mais trabalhadores em maio, ao mesmo tempo que 16 sindicatos demitiram e nove não alteraram seus quadros de funcionários. Dentre os que tiveram melhor desempenho estão os ramos ligados à exportação, como bebidas, onde o emprego cresceu 1,74% e congelados e supercongelados, que teve crescimento de 1,16%. O setor de máquinas também foi bem, com um incremento de quase 1% no nível de emprego. Por outro lado, as indústrias de esquadrias e construções metálicas tiveram queda de 9% no indicador, enquanto nas empresas de calçados de Franca, no interior do Estado, o emprego recuou 3,24% em maio. Apesar do resultado de maio ser a primeira taxa negativa em 17 meses, André Rebelo, gerente do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp (Depecon), acredita que daqui para frente a tendência é de retração na geração de postos na indústria paulista. "A parada de agora é reflexo do aumento dos juros iniciado no ano passado. A continuidade do aperto nesse começo de ano ainda terá efeitos sobre a indústria ao longo do segundo semestre", ressalta o economista. O presidente da Fiesp ressalta que o emprego caiu para um patamar mais baixo e reclama: "não podemos parar em um nível ruim e achar que é bom". Na avaliação de Skaf, "é preocupante que no segundo ano seguido de crescimento (que seria 2005), quando poderíamos dar algum embalo na economia, voltemos a ter retração".