Título: Atacado leva IGP-10 a aprofundar deflação
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 17/06/2005, Brasil, p. A3
Os preços industriais no atacado, que haviam recuado 0,38% no Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado na semana passada, aprofundaram o processo deflacionário e caíram 0,67% no IGP-10, divulgado ontem. O número, diretamente relacionado à valorização do real em relação a dólar americano, ajudou a fazer com que o IGP-10 de junho apresentasse deflação de 0,41%, a maior desde julho de 2003 (-0,73%). Os preços no atacado como um todo recuaram 1,1% (-0,43% em maio). Os três IGPs (IGP-M, IGP-DI e IGP-10) calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) vêm mostrando uma seqüência de queda de preços. Os três índices são exatamente iguais, apenas com diferença de dez dias nos respectivos períodos de apuração. O IGP-M de maio (preços coletados de 21 de abril a 20 de maio) apresentou deflação de 0,22%. O IGP-DI do mesmo mês (preços coletados de 1º a 31) fechou com queda de 0,25% nos preços. Agora, o IGP-10 de junho (coleta de 11 de maio a 10 de junho) registra deflação de 0,41%. Dos três índices que compõem os IGPs, o IPA (Índice de Preços por Atacado) é que vem comandando a seqüência de deflações, mas o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) está também em queda, tendo variado 0,51% no IGP-10 de junho, 0,42 ponto percentual a menos que no índice geral de maio. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) aumentou de 0,64% em maio para 2,21% em junho, graças a uma alta de 4,53% no custo da mão-de-obra. Para o economista Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV, "a deflação é passageira". Segundo ele, a última deflação preocupante ocorrida no país foi em 1998, com uma seqüência de seis meses consecutivos de queda de preços no atacado. Segundo ele, os preços estão se ajustando ao câmbio e "a uma demanda um pouco menos aquecida", fruto de um aperto monetário que "não é desprezível", mas que, no seu ponto de vista, pode ser classificado como "moderado". Quadros ressalta que a deflação dos preços industriais no atacado não é generalizada, citando os automóveis, cujas vendas estão aquecidas e os preços em alta, como exemplo contrário. Quadros destacou também que o declínio dos preços no varejo, medidos pelo IPC, ainda não é claramente conseqüência da deflação no atacado. Para ele, a queda do IPC ainda tem características típicas do varejo, como uma folga nos reajustes de preços administrados e à queda de preços de produtos in natura, como o mamão papaia (-8,5%), da cenoura (-11,54%) e da alface (-4,42%). Quadros disse que o comportamento dos preços e da atividade econômica indicam que a inflação não tende a subir, o que favorece à redução dos juros. Mas alerta para a necessidade de saber se a queda da inflação no varejo é consistente ou se decorre de fatores transitórios.