Título: Cai número de pequenas exportadoras, mostra AEB
Autor: Sergio Leo
Fonte: Valor Econômico, 17/06/2005, Brasil, p. A6
A valorização do real em relação ao dólar está reduzindo o número de micros, pequenas e médias empresas exportadoras, segundo indica levantamento feito pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). De janeiro a maio deste ano, havia no país 5.939 empresas que exportavam, individualmente, até US$ 60 mil por ano. O número é 9% menor do que as 6.510 empresas, com idêntico perfil, registradas em igual período do ano passado. Por terem custo de produção mais elevado do que as grandes empresas, as micros, pequenas e médias são mais suscetíveis ao comportamento do câmbio, avalia José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB e autor do trabalho. Castro verificou que, a partir de março, a quantidade de empresas exportadoras começou a cair em relação aos mesmos meses de 2004. Em maio, 867 empresas exportaram pela primeira vez este ano. O número é 15% menor do que as 1.023 empresas que haviam exportado em maio de 2004. Em abril (ante abril de 2004), a queda foi de 0,99% e, em março (frente a março do ano passado), de 14%. No acumulado de janeiro a maio, o total de empresas exportadoras atingiu 14.240, com crescimento de 1% sobre idêntico período do ano passado. Ou seja, em cinco meses houve mais 146 exportadores em relação a janeiro-maio de 2004. Mas Castro alerta: se o câmbio for mantido nos atuais níveis, como resultado da pressão da taxa de juros, que atrai capitais especulativos, o país corre o risco de ter em 2005 saldo negativo em termos de novos exportadores. O saldo é a diferença entre empresas que entram e saem da exportação a cada ano. Seria a primeira vez que isso ocorreria desde 1997. Fernando Ribeiro, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), avaliou que não será nada fora do comum se o número de empresas exportadoras este ano fechar em nível semelhante ao de 2004 - 17.963. "Se mantivermos a tendência de anos anteriores, o universo de exportadores pode fechar acima dos 18 mil", diz Ribeiro. Ele afirmou que o número de empresas exportadoras vem crescendo devagar. A Funcex está concluindo estudo sobre o tema, sob encomenda do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Na visão de Ribeiro, o mais importante é fazer uma análise sobre a continuidade das empresas no mundo da exportação, o que significa estudar se a empresa que ingressa no comércio exterior permanece na atividade dois ou três anos depois. Castro alerta em seu trabalho que se o câmbio continuar apreciado, as empresas que exportam acima de US$ 60 mil anuais serão gradualmente atingidas, com a provável exclusão de mais exportadores do mercado. "Irá aumentar, assim, ainda mais, a concentração das exportações", argumenta. Ele mostra que, paralelamente à redução na entrada de novos micros, pequenos e médios empresários, está havendo maior concentração nas exportações de empresas que vendem ao exterior valores acima de US$ 6 milhões por ano. Havia 829 empresas com esse perfil entre janeiro e maio deste ano na comparação com 665 empresas no mesmo período de 2004. Essas empresas exportaram US$ 37,4 bilhões em cinco meses, equivalente a 86% do valor total exportado no período. Em 2004, esse percentual era de 83,4%.