Título: Relator restringe requerimentos ao foco da CPI
Autor: Henrique Gomes Batista
Fonte: Valor Econômico, 17/06/2005, Política, p. A10

Os integrantes da CPI dos Correios começaram ontem a fazer a triagem dos 101 requerimentos protocolados até o momento e que deverão ser votados na sessão da próxima semana. O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), afirmou que "não há condições práticas" de a comissão, controlada por governistas, impedir ou restringir as investigações. "Não será chapa-branca pela própria realidade da composição da CPI", disse o petista. Delcídio e o relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR), reagiram às críticas sobre o domínio governista na Comissão. Na eleição de Delcídio para a presidência ficou clara a fragilidade do governo: com um voto a mais a oposição empataria o placar e levaria o posto, porque concorria com o senador de mais idade. O petista considera, no entanto, que vários requerimentos apresentados estão "fora de contexto". Um deles seria o pedido de convocação do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz, exonerado do cargo no ano passado após ter o nome envolvido em denúncias de corrupção. Waldomiro era o executivo do ministro José Dirceu na articulação da maioria de apoio ao governo no Congresso. Os petistas também querem evitar a apreciação, pelo menos por enquanto, de requerimentos que pedem a quebra de sigilos bancário e fiscal do secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, e do tesoureiro do partido, Delúbio Soares. "Os requerimentos devem ter uma lógica: têm que estar absolutamente ligados ao foco da CPI. Senão, ficam foram de contexto. Vamos tentar trabalhar encima do fato gerador da CPI. Se outros fatos aparecerem, teremos bom senso", afirmou. Para o presidente da CPI, ainda não apareceu nenhum fato que mostre a conexão entre a denúncia de suposto esquema de corrupção em licitações nos Correios e o escândalo do mensalão, denunciado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Para Amaral, a investigação da denúncia de pagamento de deputados para que votassem com o governo deve ser apurada pela Câmara, na CPI do Mensalão. "É no mínimo estranho o Senado investigar deputados", justificou. Delcídio Amaral disse que o fato de ter entrado no PT com o aval do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e ter com ele uma relação de amizade não exerce nenhuma influência em seu comportamento como presidente da comissão. "Essa CPI vai ser extremamente equilibrada", prometeu o líder do PT no Senado. Na próxima terça-feira a CPI colhe o depoimento de Maurício Marinho, ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios. O segundo depoimente deve ser Antônio Ozório, ex-diretor de Administração dos Correios e superior a Marinho. Pressionado pela imprensa, o relator da CPI disse que o deputado Roberto Jefferson deve ser ouvido em duas ou três semanas. Somente o depoimento de Jefferson poderia estabelecer uma possível conexão entre a CPI dos Correios e o mensalão. Serraglio disse que se sente injustiçado com a repercussão, na opinião pública, de que a CPI será chapa-branca.