Título: Presidente do PP abre sigilo à sindicância
Autor: Henrique Gomes Batista
Fonte: Valor Econômico, 17/06/2005, Política, p. A10
Crise Oposição resiste à abertura das Comissões de Inquérito do Mensalão e da Compra de Votos
A Comissão de Sindicância da Corregedoria da Câmara começou a receber os depoimentos dos deputados que estariam envolvidos, de acordo com denúncias do presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), com o mensalão que seria pago pelo PT. Ontem o presidente do PP, Pedro Corrêa (PE), apresentou-se à comissão levando mais de dez pastas com os documentos que quebram seus sigilos fiscal, telefônico e bancário dos últimos cinco anos, além das prestações de contas das últimas três eleições. Na noite anterior, o líder do PP, José Janene (PR) e seu correligionário, Pedro Henry (MT), também prestaram depoimento à sindicância. Pedro Corrêa voltou a negar, na audiência fechada, que tenha envolvimento no suposto caso do mensalão. "Não tenho nada a ver com essa história de mensalão, nunca ouvi falar disso e coloquei meus sigilos à disposição. Se eu tivesse recebido algum dinheiro, teria que estar em algum lugar", afirmou. Os outros dois deputados do PP, Janene e Henry, também negaram, veementemente, participação no suposto esquema. A audiência com Roberto Jefferson está prevista para ocorrer na quarta-feira, às 10h30, no apartamento do deputado. A Comissão também pretende ouvir o deputado José Dirceu (PT-SP), Aldo Rebelo (Coordenação Política), Walfrido Mares Guia (Turismo) e Ciro Gomes (Integração Nacional). Também foram definidos os próximos deputados a serem ouvidos pelo Conselho de Ética, que também analisa um processo do PL contra Jefferson e é o órgão responsável pela punição dos deputados. Ficaram definidos dez nomes: Corrêa, Janene, Henry, Valdemar Costa Neto (PL-SP), Carlos Rodrigues (PL-RJ), Sandro Mabel (PL-GO), Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Raquel Teixeira (licenciada, PSDB-GO), Miro Teixeira (PT-RJ) e José Múcio Monteiro (PTB-PE). Ainda não há data para os depoimentos. A Comissão também decidiu que Roberto Jefferson deve refazer parte de sua defesa escrita, apresentada na noite de quarta-feira à comissão. De acordo com o relator do caso, Jairo Carneiro (PFL-BA), Jefferson arrolou 22 pessoas como testemunhas, mas o regimento do conselho limita a cinco as pessoas a serem ouvidas. Os partidos do bloco independente na Câmara -PDT, PPS e PV- se encontraram ontem com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para pedir uma rápida instalação da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mensalão, destinada a investigar a denúncia de que o PT pagava mesadas ao PP e ao PL em troca de apoio ao governo na Câmara. Segundo Raul Jungmann (PPS-PE), Renan teria se comprometido a ler a criação da CPI na próxima semana. Deputados governistas, liderados pelo PT, reforçaram a atuação para que a Câmara instale rapidamente a CPI proposta na casa para apurar compra de votos, que também apuraria as denúncias que envolveram a aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A oposição, por sua vez, prefere que nenhuma das duas CPIs sejam instaladas. "Já temos a CPI dos Correios funcionando, ela pode chegar a analisar o mensalão, não precisamos dividir nossa atenção", afirmou o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN).