Título: Queda de juros é variável- chave, diz economista
Autor: Claudia Safatle e Taciana Collet
Fonte: Valor Econômico, 17/06/2005, Especial, p. A14
A redução do déficit nominal do setor público a zero, como pretende o governo Lula, vai exigir uma redução significa da taxa básica de juros. Do contrário, para se chegar ao mesmo objetivo, a elevação do superávit primário (resultado antes do pagamento de juros) teria que ser tão brutal que politicamente se tornaria inviável. Essa é a conclusão a que chegou o economista Marcelo Castello Branco, diante de simulações feitas a pedido do Valor, a partir de modelo da equipe da Modal Asset Management, da qual ele faz parte. De acordo com uma dessas simulações, na hipótese de juros constantes nos atuais 19,75% ao ano, o déficit nominal zero só seria atingido na distante hipótese de o setor público alcançar um superávit primário de de 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo que o governo aumente o aperto fiscal, não se imagina possível um superávit primário de tal magnitude. Afinal, isso é mais que o dobro da atual meta de superávit nesse conceito, fixada em 4,25% do PIB tanto para 2005 quanto para 2006 e 2007, na Lei de Diretrizes Orçamentárias da União (LDO). "Mantido o patamar de juros atual, jamais se chegará a uma situação equilíbrio no resultado nominal do setor público consolidado", disse Castello Branco. Fazendo a conta ao inverso, ele concluiu que, na hipótese de superávit anual de 4,25% do PIB, a taxa nominal de juros teria que cair a 9% ao ano - mais de 10 pontos percentuais , portanto - para zerar o déficit nominal. "Isso no espaço de um ano", esclarece ele. Como o governo trabalha com um horizonte de cinco anos, os juros não precisariam cair tanto, acrescenta o economista. Ele ainda não fez simulações para um período mais longo. Mas acredita que, mesmo tendo cinco anos para zerar o déficit nominal, o governo precisará, necessariamente, de uma queda relevante de juros, ainda que ela não seja tão forte como a necessária no curto prazo. Os números de Castello Branco pressupõem crescimento de 3,2% e inflação de 6,2% ao ano.