Título: Bancos mesclam uso de tecnologias
Autor: Ricardo Cesar
Fonte: Valor Econômico, 17/06/2005, Empresas &, p. B3
Quem utiliza os serviços bancários dos 16 mil terminais de qualquer uma das 1,7 mil agências e postos do HSBC no Brasil é atendido por sistemas baseados em Linux, software de código aberto - pode ser copiado, modificado e instalado sem pagamento de licenças. No fim de 2004, o banco concluiu um projeto que reduziu os 840 servidores (computadores de grande porte) presentes na maioria das agências a apenas 92 máquinas centralizadas em Curitiba. Os programas proprietários foram substituídos pelo sistema de código aberto. Agora, o HSBC conduz outra atualização de software: os sistemas de cinco mil máquinas de auto-atendimento (ATMs) serão substituídos. Linux de novo? "Neste projeto escolhemos o Windows XP da Microsoft", diz Fernando Sanches Vardanega, gerente de operações de serviços de tecnologia do banco. "Estamos conduzindo um estudo para avaliar a viabilidade de Linux nos ATMs, mas isso é algo para o futuro." O exemplo do HSBC resume o espírito corrente entre os bancos presentes no Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (Ciab), que ocorre nesta semana em São Paulo. A maioria já experimenta rodar um ou outro serviço sobre software livre, mas a ainda é reticente em usar o sistema para as funções mais essenciais. Pensar em adoção em larga escala é ainda menos comum. Pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra que 60% do setor no país já utiliza Linux. Na edição anterior do levantamento, o número era de 40%. Esse dado, no entanto, pode enganar: dentro do universo de bancos que usam Linux, praticamente nenhum emprega o sistema em larga escala. Geralmente o uso é marginal e as soluções proprietárias são dominantes. "Buscamos um equilíbrio entre o software livre e o proprietário. A idéia é fazer uma análise criteriosa e escolher a melhor plataforma em cada caso", afirma Igor Ramos Rocha, gerente da Serasa (empresa que faz análise de crédito). "Os bancos são conservadores nas compras de tecnologia", destaca Haroldo Hoffmann, executivo responsável por projetos de Linux na IBM. "Vemos muito interesse do setor financeiro em aprender como o software livre funciona, para no futuro implantar esse tipo de sistema", diz. Hoffmann explica que a visão mais radical de trocar todo o software proprietário pelo livre não vingou nos bancos. Os projetos com Linux muitas vezes são voltados para integrar os dois tipos de tecnologia. Ainda assim, o enorme mercado potencial - os bancos gastaram algo próximo a R$ 12 bilhões com tecnologia em 2004, segundo a Febraban - faz com que os fornecedores disputem uma queda-de-braço. Alexandre Pombo, gerente da área de automação bancária da Microsoft, empresa de softwares proprietários, destaca que a companhia oferece melhores condições de suporte técnico e até mesmo segurança, já que qualquer falha descoberta em seus sistemas é rapidamente corrigida. Já Cleber Morais, presidente no Brasil da Sun Microsystems, destaca que os softwares de código aberto proporcionam mais liberdade. "É uma tendência muito forte no setor bancário. Uma das vantagens é que os clientes não ficam amarrados a uma determinada tecnologia de um fornecedor." (RC)