Título: Pequenas garantem sucesso do evento
Autor: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico, 17/06/2005, Empresas &, p. B10

As chamadas companhias aéreas de baixo custo sustentaram as encomendas no 46º Salão Aeronáutico de Le Bourget, confirmando a retomada no mercado. Bastava ver o ambiente entusiasmado ontem no centro de negócios da Airbus: a indiana InterGlobe Entreprises anunciou o lançamento da Índigo, companhia de baixo custo nacional, e assinou um pacote de 100 encomendas firmes de aparelhos A320, de porte médio. Valor da operação: US$ 6 bilhões, pelo preço de catalogo, ainda sem os pesados abatimentos. Logo depois, foi a vez de outra nova companhia de baixo custo, desta vez do México, batizada ABC, que começa a operar em dezembro, de propriedade de Mario Alleman, proprietário da Televisa e um dos homens mais ricos do país: comprou 10 modelos A320. O mais importante aconteceu na quarta-feira, no que alguns especialistas consideram "um momento histórico": a companhia indiana Kingfisher foi a primeira do segmento .a comprar o A380, o gigantesco avião da Airbus, para até 850 passageiros. Encomendou cinco e mais alguns aparelhos forçosamente menores, num total de US$ 3 bilhões. Essa aquisição foi particularmente bem sucedida porque o tom geral evento em Paris é de que o futuro da indústria está nas aeronaves médias e não nos gigantes de mais de 550 passageiros. A americana Boeing insiste que no futuro mais e mais as pessoas vão querer viajar para seus destinos exatos ao invés do método de viajar para grandes centros em enormes aviões e depois utilizar aparelhos menores em conexão. A Airbus retruca que tanto isso não é verdade que uma aérea de baixo custo comprou seu aparelho. A Associação Internacional dos Transportadores Aéreos (IATA, na sigla em inglês) calcula que as companhias aéreas vão perder ainda US$ 6 bilhões este ano, mas que a situação vai melhorar. De fato, como notam analistas, o ritmo está sendo dado pelo que se vê em Paris. Os primeiros a se beneficiar da retomada são justamente os transportadores de baixo custo, as companhias de charter e as empresas de leasing que alugam aviões para as companhias aéreas. Esses segmentos são os primeiros a reduzir suas encomendas quando a situação vai mal, mas também os primeiros a voltar ao mercado quando notam sinais de recuperação. Outra constatação é que a Índia foi as compras. Várias companhias indianas fizeram aquisições de mais de duas dezenas de bilhões de dólares. Não importa o construtor, se Boeing, Airbus ou Embraer, todos não hesitam em reconhecer a importância do mercado indiano. Com a China, a Índia é hoje um dos mercados com crescimento mais rápido no mundo. (AM)