Título: Ciro diz que mudança para a política do Rio depende de "conjunção de forças"
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Fonte: Valor Econômico, 20/10/2004, Política, p. A-8
O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, apontou ontem condições que poderiam levá-lo a trocar o Ceará pelo Rio de Janeiro como arena política, caso aceite uma possível candidatura ao governo fluminense. "Isto não pode ser demanda de um grupo político isolado e muito menos uma vontade pessoal minha. É preciso que esteja dentro de uma lógica e de um processo, que seja produto de uma conjunção de forças", afirmou. A mais de um ano para o fim do prazo de troca de filiação partidária e de domicílio eleitoral para concorrer em 2006, o ministro afirmou que as especulações sobre a candidatura no Rio são extemporâneas. "Não é hora de falar sobre isso, por mais que receba com carinho e atenção as manifestações", disse. Para seus aliados no Ceará, o ministro manteve o suspense. Sinalizou que seu grupo político no Estado passaria a ser comandado pelo irmão, o prefeito de Sobral em fim de mandato, Cid Gomes (PPS), mas não revelou qual será seu destino partidário e por qual Estado concorrerá em 2006. O ministro continua participando do processo político em Fortaleza. Ontem mesmo, deu uma declaração de apoio à candidata do PT, Luizianne Lins, que espelha a insatisfação com a derrota do candidato que apoiou, o comunista Inácio Arruda. "Vou votar em Luizianne, a quem respeito e conheço desde a faculdade. Mas temo pelo futuro de Fortaleza", disse. Antes de uma possível mudança de Estado, Ciro deverá mudar de partido. Ontem, voltou a atacar o presidente da legenda, o deputado Roberto Freire (PPS), que pretende levar a sigla para a oposição. "As decisões dele vão impactar um partido que ele nem conhece mais. É um partido com dois governadores, dois senadores e 22 deputados que precisas ser ouvido sobre decisões que lhe dizem respeito", disse o ministro, que conversou estar conversando com freqüência com o presidente do PTB, o deputado Roberto Jefferson (RJ). A possível ida de Ciro para o PTB e para o Rio é vista como estratégica pelo núcleo político do Planalto. O movimento ajudaria a solidificar o apoio petebista a Lula em 2006 e serviria como uma arma contra o grupo político comandado por Anthony Garotinho (PMDB) e sua esposa Rosinha, a governadora do Rio. Terceiro colocado à Presidência em 2002, Garotinho é candidato declarado na próxima eleição. (CF)