Título: Depois da pior derrota, PT carioca "fecha para balanço"
Autor: Janaina Vilella
Fonte: Valor Econômico, 20/10/2004, Política, p. A-8
O diretório regional do PT no Rio de Janeiro se reunirá, em novembro, para fazer um balanço do desempenho do partido no Estado. Os núcleos municipais estão preparando documentos com propostas a serem discutidas no encontro. O deputado federal Chico Alencar foi um dos que enviou à direção do partido uma análise sobre as derrotas do PT no Rio. No texto "Rio: a História, as eleições e a dificuldade atual", o deputado analisa o comportamento do eleitor em 2004 e a estratégia adotada pelo partido. "O PT está fechado para balanço. Derrota eleitoral exige revisão", disse Alencar ao Valor. Para a cientista política Lúcia Hippólito, o PT pagou um preço alto pela aliança nacional que costurou com o PTB. O acordo resultou em uma redução do número de cadeiras ocupadas pelo PT na Câmara Municipal, de cinco para três. "A estratégia adotada pelo PT na cidade foi erro. A direção nacional do PT vem privilegiando alianças e candidatos que sirvam aos seus interesses e não à política local. O PT do Rio é a moeda de troca em todas as alianças que o PT faz em nível nacional. Isso tem que acabar", disse Lúcia. O segundo turno das eleições municipais em cidades de peso da região metropolitana do Rio, como Nova Iguaçu e Niterói são as últimas apostas do PT fluminense para fortalecer as bases do partido no Estado. Depois do pior desempenho já obtido na capital desde 1985 - o candidato Jorge Bittar ficou em quinto lugar na disputa com 6,31% dos votos válidos - a alternativa do partido foi a de cercar a capital pela Baixada Fluminense. Na avaliação de cientistas políticos, o pífio desempenho do PT na capital é fruto de uma "total" falta de ação política, principalmente em áreas mais pobres da cidade, como as Zonas Oeste e Norte. Representantes do PT carioca admitem que o resultado acendeu a luz vermelha do diretório regional para a necessidade de uma reformulação das bases do partido, com vistas ao pleito de 2006. "Se o PT quer ser alternativa na cidade do Rio de Janeiro ao populismo religioso que cresce a passos largos terá que montar uma estratégia para aumentar sua força eleitoral nos segmentos médios e populares da população. É o maior desafio do partido", afirmou o presidente do diretório estadual do PT, o deputado estadual Gilberto Palmares. Uma análise zona a zona feita pelos especialistas em cartografia eleitoral Cesar Romero Jacob e Dora Hees, em parceria com os pesquisadores franceses Philippe Waniez e Violette Brustlein, mostra que Bittar obteve suas melhores votações, até 10,2% dos votos, em bairros de classe média, como Laranjeiras, Flamengo, Tijuca, Maracanã e Vila Isabel. Em Santa Cruz e Bangu, por sua vez, o candidato não conquistou nem 7% dos votos. "A esquerda não se deu conta de que a cidade se expandiu em direção à Zona Oeste. Parece que a esquerda só sabe olhar a cidade a partir da Zona Sul ou dos bairros de classe média da Zona Norte", argumentou Jacob.