Título: Novatas começam a ampliar produção
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 20/10/2004, Empresas, p. B-7
A Honda vai iniciar o terceiro turno de produção em Sumaré (SP), onde produz automóveis, no próximo ano. A Toyota investirá R$ 8 milhões no setor de pintura para elevar a capacidade de produção em Indaiatuba (SP) e, assim, dar fim às filas de espera dos modelos da linha Corolla. A Peugeot se prepara para aumentar a produção em 25% em 2005, com o início do lançamento do segundo carro brasileiro, a perua do modelo 307. Em plena fase de crescimento da demanda por veículos, chegou a vez de as montadoras novatas acelerarem a produção no Brasil. "Os últimos anos foram muito difíceis para os newcomers (apelido das montadoras novatas)", afirma o presidente da Peugeot no Brasil, Bruno Grundeler. Ele lembra a fase negra enfrentada por essas empresas para agilizar a nacionalização em plena desvalorização do real. "O mais difícil passou e agora estamos em recuperação", afirma o executivo da montadora francesa, que já está preparando até um carro bicombustível, uma invenção brasileira. Grundeler prevê que a montadora conseguirá alcançar rentabilidade em dois anos. A Honda, a primeira a se instalar no Brasil na fase da chegada de novas montadoras, até agora só ganhava dinheiro com as motocicletas, produzidas na fábrica de Manaus (AM). Mas a situação começou a mudar. A fábrica dos carros aumentou sua participação no faturamento global da companhia. A receita anual com automóveis passou de US$ 350 milhões para US$ 500 milhões, embora as motos ainda representem a maior fatia, com US$ 1,3 bilhão neste ano, segundo o diretor executivo da montadora no Brasil, Kazuo Nozawa. A boa maré na Honda começou com o lançamento do seu segundo carro brasileiro, o Fit, em 2003. De janeiro a setembro deste ano, as vendas totais da marca no mercado doméstico deram um salto de 80,7%, num total de 36.716 unidades. A participação da marca ainda é pequena, de 3,6%, mas a operação dos automóveis vai ganhando dimensão. Com o terceiro turno, a produção vai passar de 240 para 300 automóveis por dia. "O vigor que adquiriu nos últimos anos na região já fazem da Toyota no Mercosul uma base de exportação para toda a América Latina, Caribe e México", afirma o presidente da Toyota Mercosul, Hiroyuki Okabe. Com as fases de ampliação da fábrica de Indaiatuba e o recente anúncio de investimento de US$ 200 milhões em Zárate, na Argentina, a montadora alcançará a capacidade de mais de 100 mil veículos por ano no cone sul. (MO)