Título: IBGE vê estabilidade no emprego industrial
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 16/06/2005, Brasil, p. A5
Conjuntura Taxa medida pelo órgão apresentou em abril crescimento de 0,6% em relação a março
O emprego industrial medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou em abril crescimento de 0,6% em relação a março, já livre de efeitos sazonais, revertendo uma seqüência de dois meses seguidos de taxas negativas. Mas para o IBGE o quadro é de estabilidade, acompanhando o desempenho da produção industrial divulgada na semana passada (crescimento zero sobre março). "O quadro é estacionário, coerente com o da produção", disse a economista Isabella Nunes Pereira, coordenadora da pesquisa. Já a folha de pagamento real recuou 2,3% em relação a março, após quatro meses de taxas positivas na comparação mês a mês com ajuste sazonal. Na comparação com abril do ano passado, tanto emprego quanto a folha salarial apresentam números positivos, crescendo, respectivamente, 3,1% (o décimo quarto número positivo seguido) e 4%. No acumulado do ano, contra o mesmo período do ano passado, o emprego cresceu 2,7% e a folha, 3,8%. E nos 12 meses encerrados em abril os dados mostram aumento de 2,9% no emprego e de 7,6% na folha. O número de horas pagas cresceu 0,3% sobre março e 1,9% sobre abril do ano passado. De acordo com Isabella, o quadro de estabilidade fica mais evidente quando se examina a média móvel trimestral, ou seja, a média dos três meses encerrados em abril contra a dos três fechados em março. Nessa forma de comparação, o emprego cresceu apenas 0,1% e a folha de pagamento caiu o mesmo 0,1% no período de fevereiro a abril contra o trimestre de janeiro a março. Na média móvel, o número de horas pagas cresceu apenas 0,2%, sinalizando também estabilidade, de acordo com a técnica. Mesmo na comparação contra o mesmo mês do ano anterior, o desempenho positivo vem acompanhado de indicativo de desaceleração. O crescimento de 2,7% do primeiro quadrimestre deste ano foi inferior aos 4% do último trimestre do ano passado. A coordenadora da pesquisa observa que, quando é comparado o desempenho quadrimestral desde o terceiro quadrimestre de 2003 é possível perceber que a trajetória do emprego industrial acompanha a da produção, embora com alguma defasagem temporal. A produção entrou em trajetória ascendente no terceiro quadrimestre de 2003 e chegou ao pico no segundo de 2004, começando a desacelerar no período seguinte e mantendo a trajetória descendente no primeiro deste ano. A queda do emprego começou a se reduziu até o primeiro quadrimestre do ano passado, ficou positiva no segundo, atingiu o pico no terceiro e começou a perder fôlego no primeiro deste ano. Os dados do IBGE revelam, segundo a coordenadora da pesquisa, que a indústria automobilística e a agroindústria exportadora seguiram comandando o desempenho positivo do emprego industrial em abril contra abril de 2004, especialmente em São Paulo, onde o aumento do emprego alcançou 4,9%, a maior taxa da série histórica do indicador, desde 2001. Houve desempenho positivo do emprego em 13 setores da indústria paulista, com destaque para meios de transporte (12,1%) e alimentos e bebidas (20,1%).