Título: Para ministros, crise é constrangedora
Autor: Cristiano Romero e Claudia Safatle
Fonte: Valor Econômico, 16/06/2005, Política, p. A6
Com avaliações de que a crise política é constrangedora e causa instabilidade para o governo, ministros do PT ressaltaram que todas as denúncias de corrupção envolvendo o PT e o governo serão apuradas rigorosamente pelo Executivo e pelo Congresso. Vários ministros do Partido dos Trabalhadores estiveram ontem no Palácio do Planalto para a solenidade de assinatura da chamada MP do Bem e foram chamados em seguida para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para avaliar a crise política. Quatorze ministros, a maioria do PT, participaram do encontro. Também presente à solenidade, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, sugeriu que o presidente Lula faça uma reforma ministerial e recomponha sua base política no Congresso. "A reformulação do ministério é algo que se impõe claramente neste momento", afirmou. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, admitiu que a situação gera instabilidade porque são denúncias graves. "É evidente que nossa expectativa é de que as denúncias sejam acompanhadas de comprovações que permitam todo o esclarecimento dos fatos. Eu penso que é dessa instabilidade, pela nossa conduta, que sairá uma estabilidade ainda maior para fortalecer a democracia brasileira", disse Rossetto. Sobre as denúncias do pagamento do mensalão envolvendo a cúpula do PT, ressaltou que o partido saberá "preservar seu patrimônio ético". Já o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, avaliou que a situação é constrangedora para todo o país, mas fez questão de dizer que o governo mandou investigar tudo e segue governando, apesar da crise política. Questionado sobre a possibilidade de o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, deixar o governo, afirmou que qualquer medida de afastar ministros é competência exclusiva do presidente. "Qualquer medida tem que ser tomada pelo presidente. Isso daí (as denúncias) é constrangedor para o país como um todo. Tenho certeza que nós vamos avançar para esclarecer tudo e restabelecer a credibilidade da política", disse. O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, disse que é favorável ao afastamento dos acusados para facilitar a investigação das denúncias de corrupção envolvendo tanto o governo como o PT. "Se for necessário afastar dirigentes para que a apuração seja mais tranqüila e para que esses dirigentes possam se defender de uma maneira mais eficaz, eu acho que pode ser uma boa medida para facilitar as investigações", afirmou o ministro. Berzoini reconheceu que as denúncias apresentadas pelo presidente do PTB criaram um "clima de apreensão" e destacou que o Brasil "não tem mais tolerância de ver corrupção não apurada". Se for necessário haver cassações, afastamentos e demissões, disse, eu sou plenamente favorável. O ministro Waldir Pires (Controladoria-Geral da República), responsável pela auditoria de 600 contratos e 470 processos de licitação nos Correios, disse que o processo será transparente e a população saberá do resultado de toda investigação. Questionado se o contratos de publicidade do governo também seriam alvo de apuração, por causa das denúncias envolvendo o publicitário Marcos Valério, respondeu: "Desde que haja acusações, todos os contratos serão auditados".