Título: Bancadas petistas pressionam pela saída de Delúbio
Autor: Cristiano Romero e Claudia Safatle
Fonte: Valor Econômico, 16/06/2005, Política, p. A6

As bancadas do PT na Câmara e no Senado reagiram contra a permanência do tesoureiro do partido, Delúbio Soares, no cargo, após a formalização das denúncias de pagamento de mesadas a deputados do PP e do PL para votarem de acordo com o governo. Essa foi a maior reação do partido ao depoimento de Roberto Jefferson (PTB-RJ), feito na terça-feira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute a crise hoje, em reunião com as bancadas do partido, às 15h, no Palácio do Planalto. A reação à manutenção de Delúbio ocorreu de forma simultânea nas duas Casas. Enquanto no Senado a bancada quase fechou questão contra a permanência do tesoureiro, na Câmara os petistas mais à esquerda decidiam realizar uma passeata ao Planalto para pedir que Lula interferisse e também defendesse o afastamento dos dirigentes investigados . Os senadores do PT só não fecharam questão pela atuação contrária do líder, Delcídio Amaral (MS). "O descontentamento está crescente, mas não podíamos fechar questão pois nem todos os parlamentares do partido estavam presentes", afirmou o líder. A bancada, contudo, tende a se reunir hoje para chegar com um discurso unido na conversa do presidente. Já na Câmara, os doze "esquerdistas" sequer tentaram agir em nome dos 91 colegas e organizaram, à revelia da liderança da bancada, a passeata. Senadores intervieram a pedido do Planalto e convenceram que o desgaste público do ato seria grande e que muito mais eficiente seria a audiência com Lula, marcada ontem às pressas. A situação dentro do PT, contudo, nunca esteve tão ruim, segundo parlamentares. "Nunca vi tanta falta de comunicação, nunca fomos tão desarticulados", afirmou um deputado do Campo Majoritário. Na esquerda, a mesma avaliação: "Em um crise como essa poderíamos nos unir, mas está faltando comando", disse um parlamentar. A avaliação geral dos petistas, contudo, é que Lula pode ajudar na unificação da bancada, que terá papel decisivo na reunião da Executiva Nacional, no sábado. Os dirigentes evitaram contato com a imprensa. Em São Paulo, o presidente do PT, José Genoino, disse que falará com os senadores "no momento certo" e repetiu quatro vezes que a saída de Delúbio não foi debatida: "Não estamos discutindo, não está na agenda, não está na pauta, não estamos trabalhando isso." (Colaborou Cristiane Agostine, de São Paulo)