Título: Parlamentares escolhidos foram investigados pela justiça eleitoral
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 16/06/2005, Política, p. A8
Os dois parlamentares escolhidos para comandar os trabalhos da CPI dos Correios no Congresso tiveram no passado problemas com a Justiça Eleitoral dos seus Estados. O senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi investigado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul acusado de abuso de poder econômico, em razão do suposto uso irregular de US$ 22 milhões da Petrobras na sua campanha para o Senado em 2002. Isso porque ele ocupou o cargo de diretor de gás e energia na empresa entre 1999 e 2001, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. O processo foi arquivado no fim do ano passado por falta de provas. Além de participar da gestão tucana, Delcídio Amaral também esteve no governo Itamar Franco, em 1994. Primeiro, ocupou a secretaria executiva do Ministério de Minas e Energia para, depois, tornar-se titular da pasta. Líder do bloco de apoio ao governo, ele é engenheiro eletricista com passagem pela General Electric do Brasil, Eletronorte, grupo Shell e Eletrosul. Passou pela presidência dos conselhos de administração de empresas como a Companhia Vale do Rio Doce, Empresa Energética de Mato Grosso do Sul (Enersul ) e Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul). Em 2001, deixou a Petrobras e aceitou o convite do governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, para assumir a secretaria estadual de Infra-Estrutura e Habitação, e filiou-se ao PT. Em 2002, foi eleito senador, assumindo seu primeiro mandato eletivo na vida pública. Já o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) teve os direitos políticos cassados pela Justiça Eleitoral do Paraná, sob a acusação de ter-se beneficiado, entre 1997 e 1998, com passagens aéreas gratuitas fornecidas pela Prefeitura de Foz do Iguaçu, onde era advogado. A decisão foi anulada em novembro de 2003, segundo o deputado, por cerceamento de defesa. Advogado e professor de direito, foi vice-prefeito de Umuarama (PR) e está em seu segundo mandato seguido na Câmara. Em 2003 e 2004, foi vice-líder do governo no Congresso e relator da reforma tributária na CCJ da Câmara. Integra a ala governista do PMDB e é ligado ao governador do Paraná, Roberto Requião. Também faz parte da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e é um dos deputados apoiados pelas cooperativas do Paraná, que costumam orientar seus associados para votar em quem defende os interesses dos produtores rurais. Foi indicado pelo seu partido para ser ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), mas perdeu a eleição para o deputado Augusto Nardes (PP-RS), aliado do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE).