Título: Embraer fecha contrato de US$ 600 mi e TAM comprará 20 aviões da Airbus
Autor: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico, 16/06/2005, Empresas &, p. B8

A Embraer fechou ontem contrato de venda de mais 20 jatos 190, num negócio por volta de US$ 600 milhões, confirmando a boa safra de transações da nova família de aparelhos. Já a TAM anuncia hoje a compra de 20 aviões A320 da Airbus. Quem fez a aquisição dos aviões da Embraer foi a GE Commercial Aviation Services (GECAS), uma das maiores companhias de leasing de aviões do mundo. "Trata-se de um poderoso financiador com ação global, que coloca a aeronave em qualquer lugar do mundo, abrindo novas oportunidades para nós", destacou o presidente da Embraer, Mauricio Botelho. Em comunicado, o presidente da Gecas, Henry Hubschman, disse que a família de jatos de 70 a 110 lugares da Embraer "é uma escolha popular entre as linhas aéreas ao redor do mundo". A Gecas é proprietária de uma frota de mais de 1,3 mil aviões de todos os fabricantes acima de 50 lugares e aluga os aparelhos em volta do mundo. Atualmente, só teria dois aviões no chão, todos os outros estando em leasing operacional. Foi um dos primeiros clientes da nova família de jatos da Embraer, com 50 compras firmes, 50 opções e outros 50 de rotação (ou seja, sempre que exercia uma opção, preenchia com outra opção). Pelo contrato assinado ontem, a Gecas poderá converter a encomenda para aparelhos 195 (de 110 lugares). Os primeiros jatos serão entregues em meados de 2006. A transação pelo preço de tabela ficaria em US$ 650 milhões. Mas a unidade na prática deve ser vendida por volta de US$ 28 milhões, fora serviços e manutenção. Botelho não esconde o entusiasmo com o ritmo dos negócios com os chamados E-Jets, que considera especialmente adaptados para os novos planos de um número cada vez maior de companhias aéreas para racionalização no uso da frota. A Embraer anunciou também o acerto com a International Finance Corporation (IFC), braço privado do Banco Mundial, de um empréstimo sindicalizado de US$ 180 milhões para a fase final de desenvolvimento das aeronaves 190 (100 lugares) e 195 (110 lugares). A IFC emprestará US$ 35 milhões em recursos próprios, por 12 anos (Empréstimo A). Os outros US$ 145 milhões virão em recursos de participantes de um grupo de dez bancos. As condição foram destacadas pela Embraer: US$ 60 milhões com "vencimento inédito" em dez anos, e US$ 85 milhões (B2), com vencimento em oito anos. É o primeiro crédito que a Embraer obtém junto a IFC. Para Antonio Luiz Pizarro Manso, vice-presidente executivo corporativo da Embraer, o credito é uma "chancela para nossas práticas corporativas, preservação ambiental e política de sustentabilidade de longo prazo". Os recursos serão provenientes do ABN AMRO, Banco Itaú Europa, BBVA, BSCH, Caixa Geral de Depósitos, HVB, ING, JP Morgan, Natexis e Société Générale. Botelho mantém a previsão de entregar 145 aeronaves este ano, mas lembra que essa meta já foi superada no ano passado (148) com vendas acima da expectativa. Em Paris, a Embraer está jogando firme também no mercado de jatos para executivos. Não será surpresa anúncio de novas vendas de Legacy (preço de US$ 26 milhões na tabela). Já foram entregues 52 aparelhos e a previsão é de serem entregues este ano mais 15 a 20 aeronaves. As versões leve e muito leve também vem chamando a atenção, segundo funcionários da Embraer. Ontem, um milionário alemão apareceu no stand da Embraer e disse que, se o aparelho estivesse disponível, compraria na hora a versão mais leve (oito lugares) porque o aparelho dispõe de banheiro. Curiosamente, esse foi um dos temas mais discutidos na equipe da Embraer, se colocava ou não um banheiro num aparelho para seis passageiros e dois tripulantes. Venceu quem dizia que a clientela feminina seria mais atraída com uma aeronave mais completa. O presidente da Embraer reafirmou a expectativa de vender 24 Supertucanos para a Forca Aérea da Colômbia. Os quatro outros candidatos na licitação já abandonaram a disputa. Ele também informou que a Embraer investirá em pesquisa e desenvolvimento cerca de US$ 280 milhões este ano e a meta é repetir esse volume ano que vem. (AM)