Título: Vicunha Têxtil pretende quitar US$ 30 mi
Autor: Cristiane Perini Lucchesi
Fonte: Valor Econômico, 20/10/2004, Finanças, p. C-1
A Vicunha Têxtil pretende quitar dívida externa de US$ 30 milhões que vence no dia 5 de dezembro próximo e tomar empréstimos no mercado interno para se financiar, informou ao Valor Vital Jorge Lopes, diretor financeiro e de relação com os investidores. "Estamos abertos a propostas melhores, mas, no momento, a decisão é quitar os eurobônus, pois é a melhor alternativa que eu tenho", afirmou. A idéia é alongar o prazo de vencimento da dívida da Vicunha Têxtil e buscar alternativas mais baratas de financiamento. "Fazer 'hedge' (proteção financeira) contra oscilações do dólar hoje é muito caro", continuou. Por isso, para financiar investimentos no Brasil, a empresa pretende a partir de agora fazer preferencialmente empréstimos em reais, disse Lopes. A Vicunha já tem acertado empréstimo de R$ 120 milhões a ser tomado do Bradesco, Unibanco e Itaú, com prazo de vencimento em dois anos e um ano de carência. Lopes evitou falar quais as taxas de juros a serem pagas, mas garantiu que o custo será mais vantajoso do que as ofertas recebidas até agora para fazer a captação externa. Pelo bônus de US$ 30 milhões emitido no ano passado, a empresa pagou taxas de juros de 7% ao ano, o que, feito o "swap" (troca de indexadores) da dívida daria hoje mais do que os juros dos Depósitos Interfinanceiros. A Vicunha Têxtil também está captando recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao Banco do Nordeste, no total de R$ 166 milhões, com prazo de vencimento em oito anos com um de carência. O dinheiro é para financiar os investimentos da empresa que inicialmente haviam sido financiados com os eurobônus de US$ 30 milhões. Do BNDES vai receber R$ 106 milhões, dos quais R$ 60 milhões já entraram no caixa da empresa, e do Banco do Nordeste, R$ 60 milhões, dos quais R$ 54 milhões já foram liberados. Pelos recursos, a empresa paga, na média, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 9,5% ao ano mais um spread que vai de 5,5% a 6%. "Parte da dívida será em reais e parte em uma cesta de moedas", explicou Lopes. Mas, na média, segundo ele, a empresa vai pagar pelos recursos menos do que o CDI. As captações em dólar serão usadas para financiar, preferenciamente, as exportações, que chegam a US$ 180 milhões a US$ 200 milhões por ano. A Vicunha Têxtil tem US$ 15 milhões em pré-pagamentos de exportação de prazo de vencimento de 18 meses a 24 meses já tomados junto a diversos bancos em operações bilaterais. Os recurso têm prazo mais longo, portanto, do que os eurobônus que vencem em dezembro, notou Lopes. Novos pré-pagamentos devem ser contratados, afirmou. "Tomar recursos em moeda trocada está caro", afirmou. A idéia daqui para a frente, segundo ele, é procurar "equalizar" a moeda de uso do recurso com a moeda de captação. Com um faturamento anual em torno de R$ 1,6 bilhão, a Vicunha Têxtil têm dívida total de R$ 480 milhões, dos quais 52% em moeda estrangeira. Ao quitar os US$ 30 milhões, a dívida em dólar da Vicunha Têxtil vai passar a representar parcela menor do total. Hoje, 60% da dívida da empresa vence no curto prazo -até um ano-, mas, quando quitar os US$ 30 milhões, a relação vai ficar mais próxima dos 50%. Lopes informa que toda a dívida de curto prazo em moeda estrangeira está "hedgeada" -possui proteção financeira contra oscilação no câmbio. As exportações são consideradas "hedge" natural. Incentivos fiscais na região Nordeste levaram a Vicunha a registrar um lucro de R$ 9,3 milhões no segundo trimestre deste ano, valor 25,4% maior na comparação com igual período de 2003. As vendas brutas cresceram 14,3% no trimestre, para R$ 487,9 milhões. O mercado interno foi o maior responsável pelo aumento, já que a demanda cresceu 18% em faturamento.