Título: CPI do Mensalão volta à pauta e divide deputados
Autor: César Felício, Cristiane Agostine e Caio Junqueira
Fonte: Valor Econômico, 20/06/2005, Política, p. A6
O acúmulo de denúncias de supostos esquemas de corrupção recentemente revelados força o Congresso a perseguir pelo menos três linhas de investigação -irregularidades em estatais; financiamentos de campanhas eleitorais e o chamado mensalão - e decidir, nesta semana, se cria uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou se concentra toda a apuração na CPI Mista dos Correios. A estratégia de investigação continua dividindo governo e oposição. Os oposicionistas admitem reservadamente que é melhor concentrar forças na CPI dos Correios, pois acham que, com o tempo, conexões entre os três grandes focos de denúncias vão aparecer. "O PFL sustenta que na CPI dos Correios pode se apurar tudo", diz o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). O governo insistirá em duas CPIs e tenta, esta semana, votar requerimento na Câmara para criar a CPI da Compra de Votos, que investigaria denúncias de pagamentos a deputados do PP e PL para votar com o governo. "Estamos convencidos que vai ser necessário cassar 10 a 15 deputados, mas primeiro temos que chegar ao pólo ativo da corrupção, que está no Executivo. Vamos pegar os deputados, mas só na hora certa", revela um oposicionista. O raciocínio do governo é oposto: "Acho que nós temos que fazer com que funcione a CPI dos Correios, com fato determinado, e na Câmara deve funcionar uma CPI do mensalão", defende o líder do PT, deputado Paulo Rocha (PA). Numa terceira via, os partidos independentes - PPS, PDT e PV - apostarão na CPI Mista do Mensalão. "A cada dia que passa, considero isso ainda mais imprescindível. O governo obteve o controle da CPI Correios e lá não quer focar a questão do mensalão. Há risco grande de prevalecer o corporativismo e não se fazer faxina na Câmara", diz Raul Jungmann (PPS-PE). As últimas denúncias colocam o líder do PP, José Janene (PR), na berlinda. Já citado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como responsável pela distribuição de dinheiro à base do PP, Janene agora tem o patrimônio questionado e confissões de correligionários de que ele e seu chefe de gabinete, João Cláudio Carvalho Genu, pagavam deputados. Os recursos, de acordo com a revista Época, viriam de estatais para as quais o PP indicou dirigentes. Janene nega todas as acusações. Ele será ouvido nesta semana pela Corregedoria da Câmara. PPS, PDT e PV vão pedir que os depoimentos sejam abertos.