Título: Cotação do álcool já dá sinais de recuperação
Autor: Fernando Lopes
Fonte: Valor Econômico, 21/06/2005, Brasil, p. A4
A forte queda dos preços do álcool ao consumidor no país verificada nesta primeira quinzena de junho tem fôlego curto. Segundo analistas, a retração observada reflete a desvalorização dos preços pagos pelo combustível às usinas em maio, mas esta curva, desde o início do mês já é de alta. Segundo Mirlaine Barbosa de Mello, analista da Ágora Senior, os contratos do álcool anidro (produto que entra na mistura da gasolina) para entrega em julho já subiram 9,2% em junho na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e fecharam ontem a R$ 770 por metro cúbico. É o mesmo patamar de preços de abril, antes da queda de maio - determinada, principalmente pela entrada da safra. Segundo ela, a crescente demanda por automóveis bicombustível no mercado doméstico segue a oferecer sustentação às cotações, e a tendência, no médio prazo, é de novas valorizações. Julio Maria Martins Borges, da Job Economia e Planejamento, afirma que a boa demanda por álcool também no exterior é outro fator de sustentação para os preços do álcool. "As cotações do álcool estão no mesmo nível no país e no exterior, o que torna a posição das usinas confortável". O câmbio, ainda que não seja um estímulo às exportações, neste caso também não tira competitividade do Brasil. No caso dos grãos, em contrapartida, o câmbio pode se configurar em importante freio para alta de preços no país a partir de julho, início da entressafra, conforme o economista Fabio Silveira, da MSConsult. Este freio já tem influência nas cotações de produtos como a soja - cuja direção, hoje, é determinada principalmente pela "queda-de-braço" entre o fim da colheita nacional e a alta dos preços internacionais. Em junho, Nelson Martin, do paulista Instituto de Economia Agrícola (IEA), os preços pagos aos produtores agropecuários não devem, em média, pressionar a inflação. O IPR, índice pesquisado pelo IEA, caiu 1,29% na segunda quadrissemana de junho e deve variar pouco no acumulado do mês.