Título: Lula pode definir hoje Coordenação Política
Autor: Taciana Collet
Fonte: Valor Econômico, 21/06/2005, Política, p. A8
Com a confirmação de Dilma Rousseff na Casa Civil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definirá, provavelmente hoje, o que fará com a Coordenação Política. Apesar da torcida contrária do PT, o ministro Aldo Rebelo, do PC do B, pode permanecer no cargo. Por ter participado de várias reuniões ontem no Palácio do Planalto, o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, do PT, foi apontado como um dos cotados para assumir a Coordenação Política. Um colaborador do presidente e um dirigente petista negaram enfaticamente, no entanto, essa possibilidade. Uma das dificuldades para Déda assumir a Coordenação é que ele quer se candidatar ao governo de Sergipe. Por essa razão, não gostaria de ficar longe de seu Estado neste momento. Ele participou de reunião no Palácio do Planalto com Lula e os ministros Antonio Palocci (Fazenda), Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) e Dilma Rousseff (Minas e Energia). Antes, Lula reuniu-se com o ministro demissionário da Casa Civil, José Dirceu. Lula gosta de ouvir as avaliações de Déda, um petista com trânsito também no Congresso. À noite, o presidente o chamou novamente ao gabinete para uma conversa com Aldo. Déda e Aldo são velhos conhecidos. Militaram juntos no movimento estudantil. Quando o ministro da Coordenação pediu demissão do cargo, há alguns meses, chegou a indicar o prefeito de Aracaju para a sua vaga. Os sinais emitidos por Lula quanto ao futuro de Aldo são contraditórios. Ao mesmo tempo em que o ministro não participou da reunião de ontem que confirmou a nomeação de Dilma Rousseff para a Casa Civil, o presidente deu a ele a difícil missão de negociar uma aproximação com o PMDB. A tese de Aldo, que tem o aval de Lula, é que, com o PT enfraquecido pelas denúncias de corrupção, o governo terá que remontar sua base de apoio no Congresso, partindo de uma forte aproximação com o PMDB inteiro, e não apenas com alguns setores do partido. Um ministro que participou da reunião dessa segunda-feira no Palácio do Planalto disse que o presidente pode acabar com o status de ministério da Coordenação Política e transferir a atribuição para um outro órgão. Um nome que corre por fora para assumir o cargo é o do deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Ele tem o apoio de Dirceu, mas foi citado nas denúncias envolvendo Marcos Valério. O governo pode dar mais dois ministérios ao PMDB: Minas e Energia e Integração Nacional. No caso do primeiro, com a saída de Dilma Rousseff, o presidente pode oferecê-lo ao senador José Sarney (PMDB-AP). Se isso acontecer, um dos cotados para assumir a Pasta é o atual presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, que é ligado a Sarney. Para entregar a Integração ao PMDB, o presidente precisaria deslocar o ministro Ciro Gomes para outra Pasta. Esse ministério e as Minas e Energia são reivindicados pelo PMDB desde janeiro de 2003. A situação dos atuais ministros do PMDB é distinta. Enquanto Eunício Oliveira, das Comunicações, deve permanecer no cargo, Romero Jucá, da Previdência Social, deverá dar lugar a outro pemedebista. O presidente Lula, segundo um assessor próximo, já teria decidido demitir Jucá, que ficou fragilizado após o Supremo Tribunal Federal autorizar investigação de denúncia de irregularidade. Lula não deve parar as mudanças por aí. Ele continua interessado em substituir os ministros candidatos, salvo poucas exceções - uma delas é Eduardo Campos, ministro da Ciência e Tecnologia. Os outros candidatos - Jaques Wagner, Olívio Dutra (Cidades) e Humberto Costa (Saúde) - deverão sair.