Título: Lula confirma Dilma na Casa Civil
Autor: Taciana Collet
Fonte: Valor Econômico, 21/06/2005, Política, p. A8
A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, assume hoje a chefia da Casa Civil da Presidência, no lugar do ministro demissionário José Dirceu, que volta à Câmara dos Deputados. O anúncio foi feito ontem pelo porta-voz da Presidência, André Singer, e limitou-se ao nome de Dilma Rousseff. "Não tenho nenhuma outra informação sobre alterações ministeriais", afirmou Singer. A posse e transmissão do cargo ocorrem hoje em cerimônia às 16h, no Palácio do Planalto. Assume interinamente o Ministério de Minas e Energia o atual presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ex-secretário executivo do Ministério, já à época de Dilma. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava ontem em Assunção (Paraguai) e antecipou a volta em pelo menos duas horas para acelerar as negociações em torno da reforma ministerial. Dilma Rousseff estava na comitiva que viajou com o presidente para o Paraguai para participar da reunião de cúpula do Mercosul e voltou ao Brasil no mesmo vôo que Lula. Os dois continuaram as conversas no Palácio do Planalto. O nome da ministra só foi confirmado oficialmente às 20h. "O presidente convidou a ministra Dilma para ocupar o cargo de ministra-chefe da Casa Civil, tendo a ministra aceito o convite", anunciou Singer. Dilma resistiu a aceitar o convite porque não queria deixar o Ministério de Minas e Energia num momento considerado por ela crucial para a reorganização do setor energético, mas o presidente conseguiu convencê-la com o argumento de que precisava de uma pessoa com perfil técnico-administrativo e experiência de gestão para coordenar as ações do governo. Relutou também por discordar da amplitude administrativa instalada na Casa Civil. O nome da ministra também não agradava alguns assessores diretos do presidentes e ministros, que com ela terão que trabalhar. Antes do anúncio, Lula encontrou-se durante a tarde com vários ministros e assessores. Passaram pelo gabinete o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o próprio Dirceu, que reassume o mandato de deputado federal. Dirceu deixa o cargo depois dos ataques do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que envolveu o ministro demissionário nas denúncias de pagamento do mensalão a deputados do PP e PL.