Título: Presidente cancela viagem e define futuro da Coordenação Política
Autor: Cristiano Romero
Fonte: Valor Econômico, 23/06/2005, Política, p. A6

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decide hoje o destino do Ministério da Coordenação Política. Ele cancelou viagem que faria ontem ao Rio de Janeiro, onde participaria da inauguração do Pólo Gás-Químico de Duque de Caxias, para se dedicar à rearrumação política do governo, tarefa que envolve a definição da Coordenação e de uma estratégia de reaproximação com o PMDB e os outros partidos aliados. Até ontem, a tendência mais forte era o presidente extinguir a Pasta da Coordenação Política, transferindo suas atribuições para outro órgão, provavelmente, à Secretaria-Executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, cujo titular é o ministro Jaques Wagner. Com isso, ele atenderia à pressão do PT, que jamais se conformou em ter perdido o controle da articulação política para outro partido. Se essa decisão se confirmar, o atual ministro da Coordenação, Aldo Rebelo, voltaria para a Câmara dos Deputados, onde reassumiria seu mandato pelo PCdoB. Nos últimos dias, diante dos rumores de que estaria demissionário, Aldo rogou ao presidente que tomasse logo uma decisão. "A situação é insustentável. Já começou a prejudicar o trabalho de Aldo", comentou um colaborador do presidente. Aldo chateou-se com os boatos de que estaria trabalhando nos bastidores para permanecer no posto. Há 17 meses na função, ele chegou a entregar o cargo a Lula em quatro oportunidades, motivado pelas pressões do PT. Ontem, o presidente o convidou para acompanhá-lo na ida ao Rio. A idéia era aproveitar a viagem para conversar com o ministro. Como decidiu cancelar a viagem, ele vai se reunir com Aldo hoje, no Palácio do Planalto. Mesmo podendo demitir hoje seu articulador político, Lula lhe deu várias missões políticas nas últimas semanas. Uma delas foi atuar nos bastidores para evitar que o PTB mantivesse o deputado Roberto Jefferson (RJ) na presidência do partido. A outra foi retomar conversas com o PMDB para ampliar a aliança com o partido e, assim, fortalecer a base congressual no momento em que o governo vive uma crise política aguda. Aldo vem trabalhando há vários dias na busca de um entendimento que traga o PMDB inteiro, e não apenas setores do partido, para dentro do governo. Na noite de terça-feira, Lula, acompanhado de Aldo e do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), reuniu-se com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). No encontro, informou que está trabalhando na definição de um modelo para a reforma ministerial e que, no momento apropriado, chamará o PMDB para definir nomes. Isto significa que outras mudanças no ministério, além do que já aconteceu na Casa Civil e deverá ocorrer na Coordenação Política, não virão agora. Ficou definido também no encontro com Renan que a aproximação com o PMDB não implica em acordo eleitoral para 2006, uma vez que o partido deverá lançar candidato próprio. Mesmo estando cotado para assumir o comando da articulação política, o ministro Jaques Wagner não foi chamado para a reunião com o PMDB, o que indica, segundo interlocutores do presidente, que a sua nomeação não pode ser dada como certa. No seu primeiro dia como ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff já operou mudanças na equipe deixada por José Dirceu. Swedenberger Barbosa, secretário-executivo até ontem, foi dispensado. Ele vai para a Câmara assessorar o agora deputado José Dirceu (PT-SP). Dilma estuda outras mudanças. Ela desembarcou ontem na Casa Civil acompanhada de alguns assessores. Dois deles são Gilles Carriconde Azevedo, ex-secretário de Minas e Metalurgia, e Erenice Guerra, ex-consultora jurídica de Dilma no Ministério das Minas e Energia. Gilles trabalha com a ministra desde os tempos em que ela servia ao governo do Rio Grande do Sul. Erenice Guerra está cotada para assumir o cargo que hoje é de José Antônio Dias Toffoli: a subchefia da Casa Civil para Assuntos Jurídicos. Toffoli é um velho conhecido do presidente Lula. Foi seu advogado, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no início da carreira política do presidente. (Colaborou Taciana Collet)