Título: Carga fiscal do país é o dobro da média da AL
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/06/2005, Brasil, p. A3

O Brasil tem uma carga fiscal duas vezes maior que a média registrada pelos países da América Latina, que apresenta uma das menores taxas regionais do mundo. Um estudo apresentado ontem pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) mostrou que os impostos no país correspondem a 33,1% do Produto Interno Bruto (PIB), diante de 21,8% na Argentina e 19,3% no Chile. O indicador médio dos países latino-americanos é de 16,6%. De acordo com o diretor da Cepal Fernando Albavera, que participa da 9 Conferência de Engenharia do Petróleo da América Latina e do Caribe, no Rio, os países da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) têm cargas ainda maiores, em torno de 38,2%, diante de 41,5% dos países da União Européia. O relativamente baixo indicador da carga tributária da América Latina, somado com o grande potencial de exploração e produção de petróleo na região, coloca a área como uma das mais atrativas para a indústria mundial de óleo e gás. Empresas como a espanhola Repsol ou a britânica BP, por exemplo, já concentram um grande percentual de sua produção na região. "Ainda assim, a maior parte dos investimentos da indústria de petróleo na América Latina foi feita pelas estatais, que investiram US$ 167 bilhões no período entre 1991 e 2002, uma quantia equivalente ao arrecadado com todas as privatizações realizadas por esses países entre 1990 e 1997", afirmou Albavera. Na Argentina, por exemplo, o volume de recursos aplicados por petroleiras internacionais foi de 36% dos investimentos estrangeiros diretos de 1992 a 2002. Na Bolívia, o percentual foi de 40% entre 1993 e 2002, chegando a apenas 2% no Brasil entre os anos 1996 e 2002.