Título: Dólar ameniza defasagem na gasolina
Autor: Cláudia Schüffner
Fonte: Valor Econômico, 22/06/2005, Brasil, p. A4
A cotação do petróleo para entrega em agosto se aproximou ontem de US$ 60 o barril e a possibilidade de preços ascendentes à medida em que se aproxima o inverno no hemisfério norte começa a estressar os mercados internacionais. Mas a Petrobras, maior produtora do país, continua dizendo que está "acompanhando" os preços internacionais. E correções, caso ocorram, só quando ela achar que houve mudança de nível. Isso pode acontecer em breve se a escalada de preços iniciada no fim de maio continuar. O Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) e o BES Securities avaliam que o diesel vendido pela Petrobras no Brasil já está 15% mais barato do que no mercado internacional. O CBIE calcula em 5% a atual defasagem da gasolina e o BES calcula em 9%. "Só não estamos piores porque o dólar desvalorizou muito em relação ao real, o que faz com que preços internos não estejam tão longe dos derivados no conceito de paridade internacional", diz Adriano Pires, do CBIE. Mônica Araújo, chefe da área de pesquisa do BES Securities, explica que até o fim de maio os preços do Brasil estavam bem equilibrados em relação às cotações internacionais, fato que se reverteu em junho. "Com a recente puxada dos preços (do óleo), nem a continuada queda da cotação do dólar foi suficiente", explica. Mônica lembra que a Petrobras aplica o conceito de média móvel quinzenal para corrigir os preços de outros derivados como a nafta petroquímica e o querosene de aviação, o que não ocorre na gasolina e diesel. Mas defende esse modelo por considerá-lo "mais justo e razoável". Mesmo assim, nota que ao longo de junho a correlação de preços desses dois combustíveis, que estava equilibrada em maio, voltou a ter defasagem, e a gasolina ficou 7% mais barata no Brasil. Pires avalia que enquanto a oferta continuar colada na demanda global por petróleo qualquer tensão influenciará preços. "Além disso continua o estrangulamento do refino, que está sem capacidade ociosa no mundo, aumentando a diferença de preço entre o derivado e o petróleo cru". Ontem o petróleo fechou em queda de US$ 0,47, cotado a US$ 58,90 o barril no mercado americano, depois de alcançar recorde de US$ 59,70 durante o dia. Se os preços do petróleo ficarem cotados a uma média de US$ 60 ao longo deste ano, o Brasil poderá perder, em dólares, uma quantia equivalente a 1,03% do PIB com importações de derivados. Considerando o valor do PIB de 2004, de US$ 604 bilhões, o rombo do país seria de US$ 6,2 bilhões. (Com Agência Globo)