Título: PMDB garante apoio se ficar livre para ter candidato em 2006
Autor: Raymundo Costa
Fonte: Valor Econômico, 22/06/2005, Política, p. A7
O PMDB estabeleceu três condições para ampliar a participação do partido no ministério e assegurar a governabilidade. A principal delas é a garantia de que a sigla terá liberdade para escolher candidato próprio a presidente na eleição de 2006, não sendo obrigado desde já a um atrelamento automático ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A exigência foi transmitida aos interlocutores de Lula na negociação com a cúpula do PMDB, entre os quais se destacam os ministros Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), Aldo Rabelo (Coordenação Política) e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Lula ainda não fez uma proposta formal ao partido e espera a volta do senador José Sarney (AP), que está em Paris e volta na sexta-feira, para arrematar a negociação. O presidente ainda não bateu o martelo sobre o Ministério da Coordenação Política. Ontem, na posse da ministra Dilma Roussef na Casa Civil, ainda falava na extinção da pasta e deixar a articulação com o Congresso sob a responsabilidade dos líderes aliados. Mas o PT decidiu fazer carga para a substituição de Aldo Rebelo pelo ministro Jaques Wagner, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Ao argumento já conhecido de que a coordenação precisa voltar ao PT, o partido acrescentou outros novos: ninguém que tomou conhecimento da denúncia de pagamento do mensalão deveria permanecer no Planalto, é preciso blindar o presidente e, como o "Conselhão" pode ser extinto ou perder o status de ministério, Jaques Wagner poderia ser acomodado no lugar de Aldo. O PT decidiu concentrar fogo no lobby pró Jaques para não dispersar forças e perder o cargo de novo. A indicação de Jaques Wagner é vista com reservas por outros partidos, especialmente pelo PMDB, sigla cujo apoio o Planalto negocia no momento. Na opinião de boa parte da cúpula pemedebista, neste caso, seria melhor a manutenção do ministro Aldo Rebelo, que comandou a reação do governo às denuncias de corrupção, tem boas relações com a legenda e só precisaria receber do presidente os instrumentos necessários para exercitar o trabalho de articulação. Desde a segunda-feira as diversas alas do PMDB conversam sobre a sondagem do Planalto para a montagem de uma efetiva coalizão governamental. O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), com quem Lula também quer conversar, esteve em São Paulo para conversas com o ex-governador Orestes Quércia e o presidente da sigla, deputado Michel Temer. Sarney também telefonou de Paris. A expectativa do partido é de que a decisão só ocorra na próxima semana. No cardápio discutido com o PMDB, além dos dois ministérios atuais, há conversas também em torno dos ministérios das Minas e Energia, Saúde, Cidades e Integração Nacional. A legenda poderia escolher outros dois ministérios ou ainda remanejar os atuais titulares de suas Pastas. Fontes próximas a Lula informaram, no entanto, que dificilmente o governo entregará ao PMDB os ministérios de Minas e Energia, Saúde e Cidades, consideradas estratégicas pelo PT. Além de não atrelar o partido à reeleição de Lula, o PMDB também quer um compromisso do governo sobre as candidaturas estaduais que a sigla considera estratégica e uma declaração cabal do presidente de que considera a presença do partido fundamental para assegurar a governabilidade. A avaliação da cúpula pemedebista é que o governo Lula não tem salvação sem o apoio das bancadas do PMDB, amplamente majoritária no Senado e a segunda maior da Câmara, atrás do PT. O PMDB também resolveu manter solidariedade ao ministro da Previdência Social, Romero Jucá, alvo de investigação do Supremo Tribunal Federal, pelo menos por enquanto, o que pode ser um complicador na negociação: a demissão do ministro e a do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, envolvidos em denúncias, é hipótese considerada no Planalto.