Título: Prisão de diretores não afeta produção da Schin
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/06/2005, Empresas &, p. B8
Bebida Oito dirigentes da cervejaria completam hoje uma semana na cadeia
Uma semana após a prisão de praticamente toda a sua diretoria, a Schincariol mantém suas operações regularmente. Segundo fornecedores, clientes, prefeitos e sindicatos de trabalhadores, a segunda maior cervejaria do país está produzindo normalmente, pagando seus compromissos e mantendo abastecida a rede varejista. Na quarta-feira da semana passada oito diretores da empresa foram presos numa operação da Receita Federal e da Polícia Federal, acusados de sonegação fiscal. A principal unidade e sede da Schincariol em Itu, que emprega dois mil funcionários, manteve o seu dia-a-dia normal. "As carretas estão sendo carregadas e saindo, mas estamos com dificuldade de falar com o pessoal da empresa para saber a real situação lá dentro", afirmou Manoel Martins, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Bebidas e Alimentação do Estado de São Paulo. Para o prefeito da cidade, Herculano Castilho Passos Júnior (PV), apesar da operação manter-se normal, se a prisão dos diretores continuar por mais alguns dias, a falta do comando poderá levar ao fechamento da unidade. Apesar da preocupação com o futuro, os varejistas afirmam que o abastecimento continua normal. Segundo Sérgio Marques Júnior, executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a empresa ainda não deu uma posição de como ficará a situação. A Coop (Cooperativa de Consumo), que ocupa a oitava posição no ranking nacional de supermercados, fez seu último pedido para a Schincariol na segunda-feira. "A previsão é que seja entregue entre amanhã e sexta-feira e o departamento comercial não falou nada sobre falta de produto", disse Marcel Amati, da área de compras. O giro da marca nas prateleiras, segundo Amati, continua como antes. "É muito cedo para saber se afetou a marca, aparentemente está tudo normal", disse. A rede de supermercados Sonae informou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que continua recebendo sem problemas da fábrica de Igrejinha (RS) as encomendas que abastecem as suas 131 lojas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Na unidade industrial e na central de distribuição em Pernambuco a situação também é normal. Segundo os funcionários, a fábrica está comercializando cerca de 50 mil caixas diárias de bebidas para os estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba. Outras 15 mil caixas estariam sendo comercializadas pela central de distribuição. O sócio e diretor comercial da rede Super Muffato, Everton Muffato, disse que os problemas enfrentados pela Schincariol não afetaram nem o setor de compras, que continua encontrando os produtos da marca, nem o ponto de venda. "Está frio e não dá para medir o comportamento do consumidor em relação ao que aconteceu com a empresa", disse ele. O clima é de apreensão entre os funcionários da Schincariol, em Cachoeiras de Macacu (RJ). Ainda não houve demissões e a produção é normal, mas os empregados temem que os diretores interinos cortem custos reduzindo o número de funcionários. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Nova Friburgo, Alcir Barros, disse que encaminhou aos diretores e advogados da empresa pedido de audiência. Até ontem, os advogados não responderam ao pedido.