Título: BC revisa projeções de fluxos de capitais
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 22/06/2005, Agronegócios, p. C1

Entre diversas revisões de fluxos de capitais no país este ano, o Banco Central reduziu de US$ 2 bilhões para US$ 1,5 bilhão sua projeção para a entrada de recursos de organismos multilaterais em 2005. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, não houve tempo para a concretização de projetos de investimentos previstos para este ano, financiados principalmente com recursos do Banco Mundial. Além de atrasos na implementação de projetos, a queda dos desembolsos se deve à desaceleração nas contratações em anos recentes. As metas fiscais impediram a contratação de uma série de projetos de investimentos financiados por organismos multilaterais. Em 2004, o BC também chegou a prever desembolsos de organismos multilaterais acima do que efetivamente ocorreram - a estimativa chegou a ser de US$ 2,5 bilhões no princípio daquele ano, mas o balanço de pagamentos acabou por registrar US$ 1,013 bilhão no período. A revisão dos números para os ingressos de organismos multilaterais consta da projeção trimestral do balanço de pagamentos para 2005, que serve como base para os modelos de previsão do relatório de inflação, a ser divulgado na semana que vem. Também foi revista a projeção da balança comercial, de US$ 27 bilhões para US$ 30 bilhões. A estimativa permanece bastante conservadora, porém, quando confrontada com o consenso do mercado financeiro, que é de saldo de US$ 35 bilhões. A despeito das amortizações acima do esperado da dívida externa privada - que reduziram o endividamento -, o BC manteve praticamente imóvel as projeções para os pagamentos de juros da dívida, em US$ 13,7 bilhões. Mas a valorização do dólar levou à ampliação das remessas previstas de lucros e dividendos, de US$ 7,8 bilhões para US$ 9 bilhões. O aumento dessa despesa, porém, não impediu que melhorassem os prognósticos para a conta corrente no ano: agora, o BC espera superávit de US$ 4,6 bilhões, ante US$ 2,1 bilhões projetados em março passado. Ainda assim, o número segue mais conservador do que o consenso de mercado, que projeta um saldo de US$ 9,2 bilhões. As amortizações previstas de dívidas de médio e longo prazos também se reduziram, de US$ 29,9 bilhões para US$ 28,7 bilhões. O novo cálculo toma como parâmetro a dívida externa privada em março, de US$ 66,562 bilhões, que sofreu uma queda de US$ 1,356 bilhão em relação a dezembro de 2004. (AR)