Título: Abundância de dólares cresce no mês
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 22/06/2005, Agronegócios, p. C1
O mercado de câmbio vem mostrando certa imunidade à turbulência no cenário político, conforme mostram as estatísticas divulgadas ontem pelo Banco Central referentes ao mês de junho. Até o último dia 17, o mercado de moeda estrangeira registrou um superávit de US$ 1,220 bilhão; em maio, havia registrado déficit de US$ 811 milhões. O quadro é de tal abundância que o BC decidiu ampliar em US$ 1,3 bilhão suas estimativas, contidas nas projeções oficiais do balanço de pagamentos, para o chamado hiato financeiro - que é o volume de moeda estrangeira em mercado que está além das necessidades dos agentes econômicos, como importadores. Um hiato financeiro positivo significa que o mercado tem moeda que, em tese, pode ser adquirida pelo BC em suas intervenções ou absorvida pelos bancos. Pela projeção anterior, o hiato financeiro era estimado pelo BC em US$ 12,3 bilhões; agora, a estimativa é de US$ 13,6 bilhões. Nas intervenções realizadas no início deste ano, o BC já comprou US$ 10,2 bilhões. Portanto, daqui para o resto do ano devem "sobrar" US$ 3,4 bilhões, que podem ir tanto para as reservas do BC quanto reforçar as posições em moeda estrangeira dos bancos. O movimento de capitais estrangeiros em junho, pelos dados parciais até ontem, mostra-se forte: as empresas estão renovando 72% dos papéis e empréstimos diretos de longo prazo que vencem no mês. É um índice superior à média observada entre janeiro e maio, quando foi de 60%. Os investimentos estrangeiros diretos, por outro lado, somam US$ 850 milhões no mês. O fluxo, que supera os US$ 711 milhões observados em maio, deverá fechar em US$ 1,2 bilhão neste mês, nas projeções do BC. O quadro de abundância no mercado de câmbio é favorecido também pelo comércio exterior. Os ingressos dos exportadores superaram os gastos com importações em US$ 3,378 bilhões, nos dados até o dia 17 de junho. Como o BC está se abstendo de comprar moeda, o superávit no mercado de câmbio - de US$ 1,22 bilhão - vem sendo integralmente absorvido pelo conjunto de instituições financeiras, que reduziu sua posição vendida em moeda estrangeira de US$ 3,311 bilhões para US$ 2,168 bilhões, de maio a 17 de junho. Em maio, a conta de capitais e financeira do balanço de pagamentos registrou um déficit de US$ 615 milhões. O destaque negativo foram as saídas líquidas de investimentos em carteira, que somaram US$ 358 milhões. Investidores estrangeiros repatriaram US$ 325 milhões que estavam investidos em bolsa dentro do país. Houve ingresso de US$ 54 milhões de American Depositary Receipts (ADRs). Seguindo tendência observada nos dois últimos anos, as empresas estão amortizando papéis lançados no exterior. Foram pagos liquidamente US$ 528 milhões em notes e commercial papers. De forma geral, só estão buscando financiamento no exterior empresas exportadoras, que têm receitas em dólares. Em maio, ingressaram no país US$ 500 milhões referentes a uma captação de Global 2013 realizada pelo Tesouro Nacional. Os investimentos diretos, em US$ 711 milhões, ficaram abaixo da média necessária para que se atinja a projeção de US$ 16 bilhões do BC para o ano. "Os resultados dos meses anteriores foram muito bons, e os dados de maio indicam recuperação", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. (AR)