Título: Investidores avaliam projetos inovadores
Autor: Heloisa Magalhães
Fonte: Valor Econômico, 22/06/2005, Finanças, p. C8
Capital de Risco Doze empresas participam de fórum em busca de recursos dos fundos de private equity
Doze empresas de capital nacional identificadas como de base tecnológica inovadora estarão, hoje e amanhã, frente a frente a 50 investidores de risco. Foram selecionadas dentro de um universo de 177 candidatas a injeção de recursos e vão participar do "12º Fórum Brasil Capital de Risco", no Hotel Crowne Plaza, em São Paulo. Promovido desde 2001 pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, esses encontros já apresentaram ao mercado 110 pequenas empresas avaliadas como inovadoras. Desde então, foram viabilizados investimentos em 22 delas num total de R$ 142 milhões. Foram credenciados para o encontro representantes de fundos de private equity e os chamados "investidores anjo", pessoas físicas que querem colocar tempo e dinheiro em uma empresa nascente, diz o superintendente da área de pequenas empresas inovadoras da Finep, Eduardo Costa. "Os fundos de pensão estão entrando e trazendo outra dimensão no apoio a pequenas empresas inovadoras. A Petros tomou a decisão de investir 0,5% do patrimônio, o que significa R$ 100 milhões. Se os fundos aderirem ao modelo americano, que destinam 5% do patrimônio em renda variável, vai ter uma inundação de recursos no mercado", avalia Costa. Uma das empresas que estarão presentes ao evento que começa hoje é a Bionext. Produz celulose bacteriana, curativo que funciona como substitutivo temporário da pele, usado em queimaduras e feridas crônicas. "Protege, curando e não tem adesivo. É uma película seca que trabalha com gel de celulose bacteriana. A umidade do ferimento que adere e à medida que a pele vai se recuperando o curativo cai como se fosse um casca", diz um dos sócios da Bionext, Nelson Levy. Ele conta que uma das diferenças desse produto é que não precisa ser trocado como os curativos tradicionais. O criador é Luiz Fernando Farah, um dos sócios da Bionext. Ele é o fundador da Biofil, empresa que, no passado, foi vendida para um grupo sueco que desistiu do projeto. Agora, com um com novos sócios desde 2002, volta à carga. Para entrar no mercado, a Bionext está à espera de aprovação da Anvisa. A empresa está registrando patentes. A entrada de um sócio investidor é para injetar recursos em novos desenvolvimentos e no projeto de exportação. Já há contatos avançados no Vietnã. Já outra empresa, a Mectron, de São José dos Campos, produz mísseis e equipamentos eletrônicos para aviões. Com 220 empregados, sendo 70 engenheiros, faturou no ano passado R$ 30 milhões. Foi fundada em 1991 por cinco engenheiros do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e do Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA). Um dos sócios, Azhaury Carneiro da Cunha Filho, conta que os mísseis são fornecidos para o Ministério da Defesa. Já entre os equipamentos para aviões há o fornecido para a Embraer. É utilizado nos testes de aeronaves, quando os vôos são em baixa velocidade e o avião pode perder sustentação. Neste caso é injetado um paraquedas. A maior parte dos produtos foi desenvolvida com apoio dos clientes, mas a Mectron está com novas criações, quer ampliar o marketing e também conquistar espaço no mercado externo. Já a TV Pinguim, com 16 anos, é especializada na produção de desenhos animados para crianças. Está com um pé no Canadá, outro em Portugal e uma distribuidora americana vem vendendo as produções para vários países. Mas uma das sócias, Celia Catunda, explica que busca um investidor para ampliar a empreitada no exterior. A produtora já criou séries para para a TV Cultura, em São Paulo, e TVE, do Rio, a "Rita", que ficou cinco anos no ar. Desenvolveu outra série em torno do relacionamento familiar e agora um personagem que está trabalhando é o "Peixonalta", um peixe que fica dentro de um escafandro e viaja pelo mundo, assim como a TV Pinguim pretende fazer.