Título: Indexados rendem menos, mas podem ser alternativa
Autor: Flavia Lima
Fonte: Valor Econômico, 22/06/2005, EU &, p. D2

As aplicações indexadas à inflação sofrem com a desaceleração dos preços. Em 2005, até 17 de junho, os fundos de inflação acompanhados pelo site Fortuna renderam 4,18%, ou cerca de metade dos 8,23% acumulados pelo principal referencial da renda fixa, o CDI. Em junho, o ganho é de apenas 0,11% para 0,93% do CDI. As projeções são de que o Índice Geral de Preços do Mercado - o IGP-M, usado como referencial pela maior parte desses fundos - deve registrar ao menos mais uma queda em junho. Mesmo assim, alguns gestores dizem que a aplicação pode ser interessante para quem espera números mais fortes de inflação ou confia na queda dos juros reais no longo prazo. Os fundos de inflação aplicam geralmente em títulos públicos como as NTN-Cs, operações de swaps ou debêntures, papéis cuja remuneração combina a variação de um índice de preço e uma taxa de juros prefixada (conhecida como "cupom"). Quando o índice de preço cai, o cupom sobe, de modo a compensar a desvalorização do papel e atrair investidores (ver gráfico). Em maio, o IGP-M registrou deflação de 0,22% - a primeira desde julho de 2003. No sentido contrário, o juro dos títulos indexados ao índice apresenta trajetória de alta nas últimas semanas. As NTN-Cs mais líquidas, com vencimento em 2008, começaram junho pagando a variação do IGP-M mais taxa de 9,65% ao ano e hoje pagam IGP-M mais 10% ao ano. A inflação mais baixa medida pelo IGP-M - de 2,20% até maio, ante 5,33% registrados em igual período do ano passado - é resultado basicamente de dois fatores: da valorização do real frente ao dólar e da queda de preços das commodities, que têm um peso importante na composição do índice. Em junho, relatório Focus, do Banco Central, indica que o mercado aguarda nova queda para o indicador, desta vez de 0,09%. Considerando as projeções, o IGP-M deve chegar ao fim do semestre com variação positiva de 2,11%, ante alta de 6,78% no mesmo período de 2004. Qualquer que seja o cenário econômico, no entanto, os fundos de inflação são opções ainda interessantes como diversificação de investimento ou como forma de proteção de investidores com dívidas atreladas à inflação, diz o superintendente de renda fixa da BankBoston Asset Management (BAM), Aymar Almeida. " O relatório do BC projeta um IGP-M de 5,40% em 2005, o que corresponde ainda a um espaço para alta de mais de três pontos percentuais", lembra. Além disso, o papel de 2008 garantiria um juro real de 10% ao ano nos próximos três anos, que pode ser maior que o do mercado até o vencimento do papel. Já para o diretor de asset management do Banco Alfa, Márcio Emery, o momento não é atraente para investir em fundos de inflação, ainda que a expectativa seja de alta para o índice nos próximos meses. O principal argumento é que os papéis dificilmente vão render o equivalente ao CDI em 2005. "Hoje não há justificativa para se esperar números altos de inflação ou queda brusca dos juros", diz. "É até razoável pensar que o cupom deve continuar a subir, mas ele não deve compensar uma inflação tão baixa", acrescenta. O Alfa chegou a ter um fundo de inflação no fim de 2002, em meio à forte demanda causada pela inflação em alta e dólar próximo de R$ 4,00. No Boston, o fundo indexado ao IGP-M reúne hoje patrimônio líquido próximo de R$ 200 milhões, mas chegou a ter R$ 1,7 bilhão entre novembro e dezembro de 2002.